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Juvenal
Arduini é natural de Conquista. Nasceu em 28 de novembro de 1918.
Ordenado
presbítero (8/12/1942) por Dom Alexandre, prestou inúmeros serviços à
Arquidiocese de Uberaba: Reitor e professor do Seminário São José, Vigário
Geral, assistente eclesiástico da JUC (Juventude Universitária Católica),
Capelão do Hospital São Domingos, assessor da Pastoral Universitária, membro da
Comissão dos Direitos Humanos, companheiro das CEBs...
Filósofo,
teólogo manifesto da Teologia da Libertação, escritor, professor universitário,
conferencista. Publicou vários livros, além de artigos em revistas e jornais: O
marxismo; Homem-Libertação; Estradeiro - Para onde vai o homem?; Horizonte de Esperança - Teologia da
Libertação; Destinação Antropológica; Antropologia: ousar para reinventar a
humanidade...
Juvenal
entende o ser humano como “em permanente elaboração”. “Dialético”. “Penca de contrastes”, “imprevisível”, “misterioso”.
“Autônomo e não reflexo”. Por ter recuperado “o poder decisório que o fatalismo
lhe arrebatara”, “quer definir o que deverá ser”. “Destinar-se”. “Comandar seu destino”. Também “destinar-se a uma
sociedade justa, humana, livre, participante e solidária”. Tudo isso explica a paixão
de Juvenal pela liberdade, a sua voz profética, seus passos arriscados...
Para
Arduini, “Crer não é aceitar o mundo como está estabelecido, não é tolerar os
sistemas sociais como estão montados”. “Crer é reagir evangelicamente, é
reformular o mundo”. A partir dessa compreensão da fé, denunciou – com ousadia
– a violência, a opressão, as injustiças
na sociedade. Chamado de comunista, foi intimado a depor no 4º BPM, logo após o
Golpe Militar de 1964.
Juvenal foi
também coração humano, simplicidade, gentileza. Olhar esperançoso de um mundo
humanizado: “Se o mundo atual não corresponde aos anseios da humanidade, existe
a possibilidade de transformá-lo para que responda às exigências humanas”. Por
isso, “Ainda há esperança porque a história não terminou”.
A
excelência de sua obra filosófico-teológica o qualifica como uma das mentes
mais lúcidas e brilhantes do Brasil contemporâneo. Farol não só para o seu
tempo, mas também para as gerações futuras. Sua coerência com o Evangelho, sua audácia
e compromisso em defesa dos pobres e excluídos/as o consagram como o Grande Profeta
da Igreja de Uberaba.
Mons. Juvenal Arduini faleceu há treze anos: 14/10/2012. Se, segundo ele, “o pior que pode acontecer ao homem, não é morrer. É ser in-significante. É nada significar”, então, rendamos graças a Deus pelo privilégio que tivemos: caminhou conosco alguém verdadeiramente significante. Obrigado, grande amigo e irmão!
Pe. Fontes