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Recordar
a memória do querido Cônego Pedro Magalini é evocar um baluarte da história da
Arquidiocese de Uberaba e da cidade de Conquista. Trata-se de um daqueles
homens intrépidos que entraram para a história pelo corajoso testemunho
cristão. Pe. Pedro, como era carinhosamente chamado, nasceu no distrito de
Guaxima, em Conquista-MG, em 25 de fevereiro de 1923. Incentivado pelo
venerável Pe. Vítor Coelho de Almeida, ingressou no Seminário Arquidiocesano em
1936. Em 1945, foi enviado para estudar Teologia e Música em Roma. Em 12 de
março de 1949, na Basílica de São João de Latrão, foi ordenado presbítero com
Pe. Serafim (futuro cardeal) e Pe. Acácio (futuro bispo). Apaixonado pelas
vocações, por quase 10 anos (1952-1961), Pe. Pedro dedicou-se como professor e
reitor do Seminário São José, em Belo Horizonte e Uberaba. Em 12 de março de
1961, Deus o chamou para ser pastor da grei de onde partiu.
Seu
pastoreio em Conquista foi marcado pela pujança do seu coração de pai. Por mais
de 40 anos, além de pastor, foi diretor escolar, líder à frente do Asilo e da Santa
Casa de Misericórdia. Mais do que os tijolos e o cimento, foram suas palavras
que edificaram os corações conquistenses. Tive o privilégio de conhecê-lo,
quando acompanhava, quase semanalmente, as profundas conversas que mantinha com
meus avós Augusto e Teresinha, amigos de longas datas. Guardo viva a lembrança
de sua figura segura e amorosa, ainda que aquebrantada pela enfermidade. As
tardes eram curtas ao ouvir as conversas dos adultos, enquanto sua irmã, Dona
Zita, me oferecia seus biscoitos caseiros.
Um
dom de Deus entre nós foi a vida do Pe. Pedro. Mesmo sofrendo com as sequelas
de um AVC, permaneceu como pároco até 1989 e posteriormente vigário paroquial.
Retirado em sua casa pessoal, continuou sua missão de atender a todos. Em 03 de
setembro de 2004, após o agravamento dos seus problemas circulatórios, Deus
chamou o seu bom servo para participar da alegria eterna de sua casa. De mãos
cheias de obras, partiu nosso bom pastor.
Minhas
e de muitos são as palavras de minha avó Teresinha, em sua homenagem póstuma: “Será
quase impossível encontrar em Conquista, alguém que nunca houvesse entrado na
sala de sua casa, em busca de um conselho ou de um encaminhamento vocacional.
Ninguém, jamais seria o mesmo, depois que convivesse com ele. Era sábio,
incentivador, firme, positivo, sincero, discreto, fiel, amigo, simples e
silencioso como Maria.”
Pe. Marcos Vinícius Machado