Aguarde...
7 de julho de 2026
Amanda Oliveira
Hoje, milhões de brasileiros e
brasileiras acordaram, com certeza, entristecidos e desmotivados, com a derrota
da Seleção Brasileira. De fato, o sonho do Hexa foi adiado mais uma vez, no
entanto, sem fazer da derrota uma oportunidade de promoção de positividade
tóxica que pode nebular a visão da realidade, podemos pensar sobre o aspecto da
derrota em si.
No esporte, costumamos admirar quem
sabe vencer. No entanto, o cristianismo nos convida a olhar também para quem
sabe perder. É na derrota que se manifesta a humildade, a capacidade de
reconhecer limites, de respeitar o outro e de recomeçar. Nesse sentido, o
esporte torna-se uma verdadeira escola de virtudes.
Quem somos quando perdemos? Quando
vencemos, é fácil celebrar. É fácil agradecer. É fácil falar de união. Mas
quando perdemos... Como tratamos o adversário? Como falamos da nossa equipe? Como
lidamos com a frustração?
Essas perguntas não valem apenas
para um time de futebol. Vale para um pai ou uma mãe que vê um projeto
fracassar, para um estudante que não alcança o resultado esperado, para um
profissional que recebe uma negativa, para uma comunidade que enfrenta
dificuldades. Em algum momento, todos experimentamos a derrota.
O esporte apenas torna essa
experiência visível.
Após uma derrota, nossas palavras
muitas vezes revelam o que realmente cultivamos dentro de nós: respeito ou
agressividade, humildade ou orgulho, esperança ou desânimo.
Talvez o verdadeiro espírito
esportivo não seja colocado à prova quando levantamos uma taça, e sim, quando o
apito final anuncia uma derrota. É nesse momento que descobrimos se jogávamos
apenas pela vitória ou se compreendíamos que o esporte também é uma escola de
humanidade. Para nós, cristãos, perder nunca significa deixar de caminhar. A
Cruz parecia o fim, contudo, Deus fez dela o início de uma nova história. Por
isso, cada derrota pode tornar-se também um convite à conversão, à humildade e
ao recomeço. Afinal, nossa maior vitória não está no placar, e sim, na
capacidade de permanecer fiéis ao amor, mesmo quando o resultado não é aquele
que esperávamos.
Talvez seja justamente aí que
resida uma das maiores contribuições do esporte para a construção da
fraternidade: ensinar-nos que o valor de uma pessoa não está apenas na
capacidade de vencer, e sim, na forma como permanece humana, respeitosa e
esperançosa quando a derrota bate à sua porta.
“Basta-te a minha graça; pois é na
fraqueza que a força se realiza plenamente”. (2 Cor 12, 9)