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30 de junho de 2026

Quando o jogo parece perdido: A virtude da persistência e a esperança cristã

No último dia 29 de junho, dia em que celebramos a memória das duas colunas da Igreja, São Pedro e São Paulo, todo o Brasil estava com as atenções voltadas para o jogo da Seleção Brasileira contra o Japão. Havíamos enfrentado a Seleção Japonesa em março, e o resultado amargo assombrava a Seleção Canarinho, que ainda despertava certa desconfiança de alguns brasileiros. Fato é que, apesar do favoritismo brasileiro, muitos sabiam que o jogo seria difícil, que seria decidido no detalhe, dado o rigor tático e a disciplina da cultura japonesa.

A vitória do Brasil sobre o Japão ontem pode nos levar a uma compreensão para além do alívio e do avanço para a próxima fase. No esporte, assim como na vida, existem momentos em que o resultado parece definido, o cansaço aparece e as dificuldades parecem maiores do que nossas forças. É justamente nesses momentos que se revela uma das virtudes mais importantes: a persistência.

A fé cristã também nasce dessa experiência. A esperança não significa ausência de dificuldades, e sim a confiança de que Deus continua agindo mesmo quando ainda não vemos a vitória. Na Carta de São Paulo aos Romanos, refletimos ao longo do último ano a virtude da esperança. Assim, retomo esse versículo: “A tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada e a virtude provada desabrocha em esperança. E a esperança não decepciona.” (Rm 5,3-5).

O futebol possui uma beleza justamente porque nunca está totalmente encerrado antes do apito final. Enquanto existe tempo no relógio, existe possibilidade. Essa dinâmica se aproxima da experiência cristã. Na vida, também existem momentos em que parece que perdemos o controle da partida; porém, Deus continua escrevendo a história.

O jogo do Brasil com o Japão pode ser relacionado à ideia de que uma equipe vencedora não é apenas aquela que joga bem quando tudo está favorável, e sim aquela que consegue reagir quando enfrenta adversidades. Nós, cristãos, sabemos que a Ressurreição de Cristo é a maior prova de que Deus transforma aquilo que parecia derrota em vitória.

Ontem vimos, mais uma vez, que, apesar da qualidade técnica e dos talentos da Seleção Brasileira, o gol decisivo foi construído a partir da coletividade do time. Enquanto um jogador roubou a bola, Bruno Guimarães poderia ter decidido chutar para o gol; no entanto, decidiu tocar a bola para Gabriel Martinelli, que decidiu a partida, praticamente na última bola do jogo. Assim, recordemos a frase dita pelo Papa Leão XIV há alguns dias: “Na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho”.

E, celebrando a memória de São Paulo Apóstolo, lembremos: “Não esmoreçamos na prática do bem, pois no devido tempo colheremos o fruto, se não desanimarmos.” (Gl 6,9).

 

Amanda Oliveira