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20 de outubro de 2025
Em um gesto que combina a
urgência da preservação com a visão estratégica da nova evangelização, a
Comissão de Bens Culturais da Província Eclesiástica de Uberaba dará um passo
decisivo nos dias 21 e 22 de outubro: a criação de uma "Rede de Museus e
Memoriais de Arte Sacra". O I Fórum de Bens Culturais da Província Eclesiástica,
a ser realizado no Centro de Pastoral da Arquidiocese, representa muito mais
que um encontro de especialistas; é o reconhecimento, pela hierarquia da
Igreja, de que seus objetos sagrados – de custódias a oratórios, de imagens a
documentos – são "pontes de diálogo" com a sociedade, conforme
definiu o Arcebispo Dom Paulo Mendes Peixoto.
O evento, que reunirá as
dioceses de Patos de Minas, Uberlândia, Ituiutaba e a anfitriã Uberaba, não é
um projeto isolado. Insere-se num movimento mais amplo, incentivado pela CNBB,
de profissionalizar a gestão do vasto patrimônio cultural sob a guarda da
Igreja no Brasil. A presença de Dom Geovane Luís da Silva, Bispo de Divinópolis
e Presidente da Comissão para os Bens Culturais da Igreja no Regional Leste 2,
confere ao Fórum um caráter estratégico e sinaliza o alinhamento com as
diretrizes nacionais.
Dom Geovane Luís da Silva
reconheceu o papel catalisador do Fórum. Para ele o evento em Uberaba se alinha
um dos principais objetivos no Regional Leste 2: sair da gestão isolada, para
uma ação sinodal e profissionalizada. Como lembra o presidente da Comissão no
Regional Leste 2, é necessário implementar ações efetivas que descentralizem e
fortaleçam as bases. Afinal, “cada ostensório, cada imagem sacra restaurada,
cada documento histórico preservado, conta a história da fé do nosso povo e é
um instrumento de evangelização para as futuras gerações."
O Secretário da Comissão
organizadora da primeira edição do Fórum de Bens Culturais, Padre José Rinaldo
da Silva Trajano, ecoou a visão estratégica: "Este Fórum é um marco para
sairmos do trabalho isolado, quase sempre sustentado pela boa vontade de
poucos, e partirmos para uma gestão profissional e articulada", explicou.
"Quando falamos em criar uma rede, falamos em possibilidades que incluem inventário
unificado, políticas conjuntas de conservação, empréstimo de acervos e, também,
em fortalecer nosso poder de negociação e captação de recursos. Trata-se de
trabalhar para dar visibilidade a um patrimônio que, muitas vezes, está
escondido em sacristias e depósitos."
A importância do evento
fica clara com a lista de instituições confirmadas, que transcendem até os
limites da província, como o Museu Arquidiocesano de Brodowski (SP). Estarão
integrados: Museu de Arte Sacra da Igreja de Santa Rita e Museu da Capela do
Colégio N. Sra. das Dores (Uberaba), Museu de Arte Sacra e Memorial do
Santuário N. Sra. Aparecida (ambos de Uberlândia), Museu Padre Eustáquio
(Romaria), Museu Arquidiocesano de Brodowski (SP) e Museu da Torre do Santuário
de São Domingos (Araxá).
Uma assembleia de
pastores comprometidos com a cultura estarão presentes ao evento de que início na
terça-feira (21): além do anfitrião Dom Paulo Mendes Peixoto, Arcebispo de
Uberaba, Dom Paulo Francisco Machado, de Uberlândia; Dom Claudio Nori Sturm, de
Patos de Minas; Dom Valter Magno de Carvalho, de Ituiutaba; e Dom Geovane Luís
da Silva, de Divinópolis, que além de presidir a Comissão para os Bens
Culturais da Igreja no Regional Leste 2, traz consigo a chancela institucional
que consolida o Fórum como uma ação estratégica e sinodal.
O I Fórum de Bens Culturais de Uberaba se configura, portanto, não como um evento pontual, mas como o lançamento de uma semente. É o momento em que a Igreja no Triângulo Mineiro, alinhada com as diretrizes nacionais, assume que a defesa de sua memória material é um pilar inseparável de sua missão espiritual no século XXI. Uma lição de que, para evangelizar, é preciso também lembrar, preservar e valorizar a história tangível da fé.