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21 de julho de 2026

Copa do Mundo: Muito mais do que futebol

Em um mundo marcado por guerras, crises humanitárias, polarizações e crescentes dificuldades de diálogo, a realização de uma Copa do Mundo pode parecer, para alguns, apenas mais um grande evento esportivo. No entanto, quando bilhões de pessoas voltam os seus olhos para um mesmo campo, talvez estejamos diante de algo muito maior do que noventa minutos de uma partida.

O futebol possui uma característica singular: é uma linguagem praticamente universal. Ainda que existam diferentes idiomas, culturas, religiões e costumes, uma bola rolando é capaz de aproximar pessoas dos mais diversos lugares do planeta. Durante algumas semanas, bandeiras se encontraram, culturas dialogaram e povos que, muitas vezes, jamais teriam contato, passaram a compartilhar emoções semelhantes.

Talvez seja justamente essa uma das maiores riquezas da Copa do Mundo: não apenas descobrir quem será o campeão, e sim, recordar que, antes de sermos adversários dentro de campo, pertencemos a uma única família humana. A competição existe, faz parte do esporte e o torna apaixonante, todavia, ela não precisa produzir hostilidade, violência ou ódio. Pelo contrário, pode ensinar que é possível competir respeitando o outro, reconhecer o mérito do adversário e compreender que toda vitória só possui verdadeiro sentido quando acompanhada da dignidade humana.

As Sagradas Escrituras nos recordam que "somos membros uns dos outros" (Ef 4,25), São Paulo nos apresenta uma imagem profundamente atual também para o esporte: “como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo” (cf. 1 Cor 12,12). Também a humanidade é chamada a viver na diversidade sem perder a comunhão, ainda inspirado na Carta de São Paulo a Coríntios: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.” (cf. 1 Cor 12,13).

Ao longo de seu pontificado, o Papa Francisco sonhou com um esporte capaz de promover a fraternidade entre os povos. Recentemente, o Papa Leão XIV também nos convidou a rezar para que o desporto seja instrumento de paz, encontro e diálogo entre culturas e nações. Esse convite adquire um significado ainda maior durante um Mundial, quando milhares de atletas e milhões de torcedores compartilham um mesmo desejo: celebrar aquilo que une muito mais do que aquilo que separa.

Talvez o maior legado de uma Copa do Mundo não esteja apenas nos gols marcados, nas defesas inesquecíveis ou na seleção campeã. Seu verdadeiro legado pode estar na capacidade de recordar que a convivência entre diferentes é possível. Que o respeito pode vencer a intolerância. Que a fraternidade pode superar a rivalidade. E que, mesmo torcendo por cores diferentes, continuamos vestindo a mesma camisa da humanidade.

Que possamos reverberar ainda em nossos corações as inspirações trazidas pela Copa do Mundo, não sendo apenas como espectadores de grandes partidas, todavia, como promotores da cultura da paz, do encontro e da fraternidade.

Afinal, quando o esporte revela o melhor do ser humano, ele também nos aproxima do próprio Evangelho, que nos chama a reconhecer em cada pessoa um irmão e uma irmã.

Amanda Oliveira