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15 de junho de 2026
Ao
fazer uma análise do papel do Esporte dentro da sociedade atual pode nos levar
a uma compreensão diversa, principalmente dada a pluralidade das modalidades.
Talvez o chamado espírito esportivo durante as competições mundiais pode
ser mais evidente, todavia, não seria semelhante às virtudes praticadas no
cotidiano?
Seja em nossa família, em nosso
local de trabalho ou os variados espaços que ocupamos e vivemos em
Comunidade, o espírito esportivo também está ali, de alguma forma. A
gentileza do dia a dia, o amor transformado em ação, sejam elas nas mais sutis
ou ainda, elaboradas atitudes, a união e a cooperação podem ser vistas de
diversas formas.
O desenfreado avanço da tecnologia, da
presença das Mídias Digitais em nossas vidas, nos levou a viver culturalmente
sob uma perspectiva "Onlife". Na compreensão de Luciano
Floridi, que cunhou o neologismo Onlife, esta é a definição dada a nova
existência na qual a barreira entre real e virtual caiu, não há mais diferença
entre "online" e "offline".
Assim, o apelo para que também
continuemos a experimentar a vida em Comunidade tem sido recorrente, em meio a
uma cultura que tem incentivado de certo modo a uma experiência cada vez mais
singular ou até mesmo com as máquinas.
Ao olhar para a Carta de São
Paulo a Coríntios temos uma pergunta necessária para todos nós cristãos: "Não
sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?" (1 Cor 6, 19 – 20).
A pergunta que pode ser feita, a partir da concepção da cultural atual é: como
estou agindo, a partir presença do Espírito Santo em mim, nos lugares em que
ocupo?
No esporte, como dito, é muito
simples enxergamos o espírito de união, de cooperação e assim, experimentar o
espírito de Equipe. Talvez em nosso dia a dia, as nossas necessidades, sendo
duramente influenciadas por uma competividade que nos empurra para uma
perspectiva cada vez mais desumanizada e enraizada em valores econômicos e um
poder temporário – a partir de altos cargos – tem nos feitos esquecer dessa
dádiva que nos é dada a partir do Sacramento do Batismo: a de ser também templo
do Espírito Santo.
Sabemos que o cristianismo não
despreza o corpo; ao contrário, proclama a Encarnação. Deus quis precisar de um
corpo e, se Cristo assumiu um corpo humano, o corpo deixa de ser apenas matéria
e torna-se lugar de manifestação da graça. O esporte, portanto, pode ser
entendido como uma forma de glorificar Deus através das potencialidades da
criação.
Antes mesmo das palavras, o esporte
comunica por meio do corpo. Cada gesto realizado em equipe revela que o ser
humano foi criado para a relação, para a cooperação e para o dom de si. O corpo
que joga torna-se linguagem de fraternidade.
Será que Deus também se revela na beleza
de um passe, na disciplina de um treinamento e na alegria de uma partida
disputada com honestidade?
Na Teologia do Corpo, São João Paulo II
afirma que o corpo possui um "significado esponsal", isto é,
foi criado para o dom de si. No esporte, isso se torna muito concreto, afinal,
um passe não é apenas um gesto técnico, é um ato de confiança! Uma assistência
não é apenas uma jogada, é colocar o próprio talento a serviço do outro. Uma
cobertura defensiva é um gesto de solidariedade. Um abraço após o gol é a
expressão corporal da comunhão.
O Espírito Santo não habita o coração do
cristão para conduzi-lo ao isolamento, mas para inseri-lo em uma experiência
permanente de comunhão. Desde Pentecostes, quando pessoas de diferentes povos e
línguas passaram a compreender a mesma mensagem, a ação do Espírito
manifesta-se na capacidade de unir aquilo que parecia dividido.
Também no esporte, especialmente nas
modalidades coletivas, essa realidade torna-se visível: jogadores com
histórias, talentos e características distintas descobrem que somente a partir
da cooperação é possível alcançar um objetivo comum. O agir do Espírito nos
ensina que os dons não existem para a exaltação individual, contudo, para a
edificação do corpo inteiro, fazendo da união uma verdadeira expressão da graça
de Deus.
Que possamos viver como verdadeiros
templos do Espírito Santo, sem nos esquecer que "na vida, como no jogo,
ninguém se salva sozinho", como nos diz o Papa Leão XIV.
Amanda
Oliveira
Doutoranda
em História Social – USP
Coordenadora
da Pascom Regional Leste 2 - CNBB