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29 de julho de 2026
Quando ouvimos a expressão
"artes marciais", é comum imaginarmos golpes, combates e disputas. No
entanto, quem conhece verdadeiramente modalidades como o judô, o karatê, o
taekwondo ou o jiu-jítsu sabe que sua essência vai muito além da luta. Antes de
formar campeões, elas procuram formar pessoas e mais do que ensinar a vencer um
adversário, ensinam a vencer a si mesmo.
Vivemos em uma sociedade que
frequentemente confunde força com agressividade, o Evangelho, porém, apresenta
uma compreensão diferente. Jesus nunca utilizou a força para dominar as
pessoas; ao contrário, revelou que a verdadeira grandeza está no serviço, na
mansidão e no domínio de si: "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão
a terra" (Mt 5,5).
Essa também é uma das maiores
lições das artes marciais: a disciplina, o respeito ao mestre, a reverência ao
adversário, a constância nos treinamentos e o autocontrole diante dos desafios
demonstram que a verdadeira força não está na violência, e sim na capacidade de
agir com equilíbrio, mesmo quando se possui poder para fazer o contrário.
São Paulo utiliza diversas imagens
esportivas para explicar a vida cristã, ao escrever aos Coríntios, afirma:
"Todo atleta se impõe toda espécie de disciplina" (1 Cor 9,25). A
preparação física, a repetição dos movimentos e a perseverança nos treinamentos
encontram paralelo na vida espiritual. Assim como um golpe exige prática
constante, também a paciência, a caridade e o perdão são virtudes que precisam
ser exercitadas diariamente.
Nas artes marciais, aprende-se
desde cedo que o maior adversário não está diante de nós, entretanto, dentro de
nós. O orgulho, a impaciência, a ira e o desejo de responder ao mal com o mal
constituem batalhas muito mais difíceis do que qualquer combate esportivo. O
cristianismo também nos recorda que a verdadeira luta acontece no coração
humano, lugar onde somos chamados a permitir que o Espírito Santo transforme
nossas atitudes.
Por isso, talvez possamos
compreender que a maior vitória de um praticante de artes marciais não seja
conquistar uma medalha, e sim, tornar-se uma pessoa mais disciplinada, humilde
e respeitosa. Da mesma forma, a maior vitória do cristão não consiste em vencer
o outro, e sim, em permitir que Cristo vença dentro de si tudo aquilo que
impede o amor de florescer.
Em um mundo marcado pela violência
e pela intolerância, as artes marciais recordam que a força pode caminhar ao
lado da humildade, e que o verdadeiro guerreiro não é aquele que derrota muitos
adversários, no entanto, é aquele que aprende, todos os dias, a governar o
próprio coração.
Amanda
Oliveira
Coordenadora
da Pastoral do Esporte
Arquidiocese
de Uberaba