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31 de agosto de 2026
Estamos em novo “momento político”, momento
eleitoral, de exercitarmos o direito e o dever de cidadãos. Com o voto secreto
vamos credenciar novas pessoas, novos representantes nossos para ocuparem as
pastas da administração pública. Paira em todos os brasileiros uma grande
interrogação: vamos escolher quem? Os de esperança esgotada chegam a dizer:
“político nenhum presta!”.
Atrás da carroceria de um caminhão de um dos
Estados do Brasil, seu proprietário chegou a escrever a seguinte frase, muito
provocadora: “Se você quer fazer um político trabalhar, não vote nele”. É
triste a nossa realidade. Assim sendo, imaginamos um país com estruturas e
instituições abaladas. Faltam sustentações básicas, e isto vem desestimulando o
idealismo de cada cidadão.
O substrato básico, isto é, a credibilidade nos
políticos, que administram os bens públicos, “pode ir por água abaixo”. Os
partidos, além de unilaterais, estão muito desgastados. Creio que estamos num
momento de mudanças radicais para recuperar a credibilidade e a retomada do
processo de desenvolvimento do nosso país. Alguma coisa nova, que valorize o
bem público, precisa acontecer.
A Igreja estimula os leigos engajados na vida
eclesial a se candidatarem para os cargos públicos. E eles merecem o apoio e o
estímulo de todas as nossas comunidades cristãs, conforme o Concílio Vaticano II,
quando diz: “Os que são idôneos se preparem para exercer esta nobre e difícil missão,
esquecendo-se do seu próprio proveito e das vantagens materiais” (GS, 457).
Ainda, no documento de Puebla se diz que “a política
é um verdadeiro ato de culto que se presta a Deus” (N.521), que deve ser
articulado na defesa do bem comum. E isto, de uma forma ou de outra, é responsabilidade
de todo cidadão. Assim, há o compromisso de escolher pessoas que deram provas
de honestidade pessoal numa vida verdadeiramente cristã e de responsabilidade
familiar.
Enfim, é
preciso moralizar a política. Isso só será possível quando crescer o número de
candidatos habilitados por uma boa formação cristã e ética. Em muitos deles falta
o verdadeiro senso de justiça e se deixam levar pela desonestidade,
transformando o País num emaranhado de corrupção e desvio de verbas públicas. Pense
bem antes de votar e fazer isso livre e conscientemente.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba