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29 de setembro de 2025
Toda vida espiritual deve ser constituída
de encontro pessoal com Jesus Cristo, condição fundamental para que os cristãos
tenham capacidade para confiar em Deus, mas, fundamentados no dom da fé.
Confiar é saber esperar o tempo de Deus na vida. Desta forma, a vitalidade da
fé se evidencia no testemunho e na prática da caridade fraterna, no serviço que
transforma a vida das pessoas para o bem.
Existe uma expressão bíblica onde os apóstolos pedem a Jesus
uma maior vitalidade na própria fé: “Aumenta a nossa fé” (Lc 17,5), para dizer
que a fé não é estática, pronta e nem acabada. Ela faz uma trajetória de
crescimento e amadurecimento na vida de cada pessoa, apoiada na espera
confiante de realização das promessas de Deus em relação aos desígnios projetados
para a vida futura.
Em muitas situações as pessoas são tomadas pela falta de
sentido e de fé na vida. Uma das causas é o descontentamento diante dos atos de
injustiça pessoal e social, que atingem a identidade das pessoas e consolidam
incapacidade de enxergar a realização futura. Não parece, mas acaba limitando
as pessoas, levando-as ao total desequilíbrio emocional, perda de esperança, de
sentido e de fé.
A fé é como uma semente, às vezes muito pequena, mas com
grande potencial de vitalidade que, sendo plantada, morre para produzir nova
vida. Isto não é diferente em relação a fé na vida de quem acredita em Deus. Há
um processo de esvaziamento cotidiano, mas com força vital para a pessoa
enfrentar os compromissos de realização do bem, na construção do Reino de Deus
na terra.
É Deus mesmo quem nos concede a fé, porque ela é um dom todo
especial, doado de graça, mas depende de espaço na vida das pessoas. Quando bem
acolhida, transforma-se em potencial de fidelidade, de testemunho generoso e de
serviço amoroso na vida comunitária. A fé é como um precioso depósito, uma
força motora, com capacidade de transformar vidas desgastadas pelo cotidiano.
Entendemos o compromisso cristão com Jesus Cristo como uma
decisão consciente, contendo força vital, assumida como uma fé madura. Jesus
compara essa fé com uma semente de mostarda, tão minúscula, robustecida com as
atitudes de humildade e pequenez. Uma semente tão pequena, mas cheia de
vitalidade para produzir frutos de solidariedade e fraternidade na comunidade.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba