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4 de novembro de 2025
Existe uma grande relação entre a
vida e uma casa. A vida é um dom divino, condicionado ao espaço, para sua
sobrevivência. Um desses espaços é uma casa. Por outro lado, podemos dizer que
a vida é também uma casa, entendida como morada de Deus no coração das pessoas.
Tendo em conta essa dimensão espiritual da vida, temos os templos de pedra, de
onde brota a vida no encontro com Deus.
Dizemos que uma “igreja” é casa de Deus. Tradicionalmente a
identificamos como um templo espiritual. Assim temos as catedrais e basílicas,
como a de São João de Latrão, na cidade de Roma, a mãe de todas as catedrais e
basílicas existentes no mundo católico. Daí surgem as catedrais nas dioceses,
onde está a cadeira do bispo e, dali ele exerce a missão de administrador da
Igreja particular.
O profeta Ezequiel faz referência a um templo de onde corre
água, que fertiliza a terra e a faz produzir os alimentos necessários para
sustentar materialmente a população. Para o povo judeu, esse templo é o de
Jerusalém, como local propício para a ação de Deus na vida das pessoas. Mas,
acabaram transformando esse local em fonte de exploração e de morte para os
moradores da região (Ez 47,1ss).
Jesus não se conformou ao ver o desrespeito dos cambistas
negociando no interno do templo. Ele entendeu que o espaço sagrado estava
perdendo sua real finalidade como um local propício de oração e de
espiritualidade, caminho de proximidade das pessoas com Deus. Por isto, agiu
com coragem, expulsando todos dali, dizendo a eles: “Não façais da casa de meu
Pai um mercado!” (Jo 2,16).
O templo de pedras é menos importante do que o templo do
coração das pessoas. Interessante que o apóstolo Paulo, falando à comunidade
dos coríntios, chama os membros de templos: “Acaso não sabeis que sois templo
de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (Icor 3,16). É bonito ter
consciência dessa realidade íntima de cada pessoa, que gera fraternidade na
vida da comunidade.
Em Jesus chegou o novo templo, o seu próprio corpo, onde não
cabe exploração e nem conivência com a prática de injustiça. É o coração, o ser
mais profundo da pessoa. Ali fica a morada de Deus e a fecundidade do Espírito
Santo, unindo a fé autêntica com a prática concreta da vida na comunidade,
habilitando todos os cristãos, verdadeiros santuários, à convivência e ao compromisso
fraternos.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba