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15 de junho de 2026
Estas duas palavras, na dimensão
da vida cristã, são como provas que dimensionam a fé numa perspectiva de perseverança
e de crescimento espiritual. Não são vistas como expressão de derrota, mas de
empenho no caminho da maturidade pessoal. É importante lembrar Jesus, quando
teve que enfrentar grandes perseguições para defender valores e crenças
fundamentais para a vida.
O Evangelho fala do problema da injúria e da perseguição,
mas são realidades consideradas dentro da dimensão das bem-aventurança do
Reino. Basta olhar para a citação: “Bem-aventurados sois vós quando vos
injuriarem e perseguirem” (Mt 5,11). Jesus foi perseguido, sinal de que, quem
segue seus passos, pode passar pelo mesmo caminho, conforme as palavras do
Evangelho (Jo 15,20).
O sofrimento faz parte da condição humana, dos limites de
cada pessoa. Fisicamente, temos nossas vulnerabilidades, doenças, insegurança,
medo etc. Para Jesus Cristo, os justos são perseguidos e isto é fato evidente
numa sociedade pautada pela via da injustiça, da corrupção e da desonestidade. A
lógica das práticas escusas seduz as pessoas para agirem também da mesma forma.
Os ímpios, injustos e maldosos perseguem os justos, porque
são incomodados nas suas trapaças. A palavra proferida por Jesus, no contexto
dessa realidade, é: “não tenhais medo” (Mt 10,26) de dizer a verdade e agir com
justiça. O cenário político é reflexo de uma triste realidade, porque ali
transparece uma cultura totalmente maquiada por práticas injustas, que
prejudicam a coletividade.
Confiamos no triunfo da justiça divina, porque Deus não vai enganar
a quem age com autenticidade. Os fundamentos do Reino do Pai estão na justiça, porque
ela é fonte para todas as demais virtudes evangélicas. A bíblia diz que Jesus
Cristo é o justo (IJo 2,1), imagem de uma nova humanidade, de superação das
injustiças praticadas na história da salvação, que começou com a desobediência
de Adão.
Para Jesus, o justo não pode ter medo e receio de enfrentar
as peripécias daqueles que agem de forma desonesta, maldosa, e nem deixar de
anunciar a Palavra que liberta. As perseguições são caminhos de purificação e
de renovação, e faz a gente estar muito mais próximo de Deus. Isto significa,
que o justo não está imune dos desafios da vida, mas consciente de que pode
fazer o bem.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba