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13 de outubro de 2025
A pessoa teimosa é uma insistente,
que luta por realizar seus desejos. O apóstolo Paulo, em uma de suas cartas,
fala em “insistir oportuna ou inoportunamente” (2Tm 4,2), mas, de forma
paciente, não perdendo de vista o foco dos objetivos programados, sem
desistência e de braços sempre erguidos (cf. Ex 17,11). Deve ser atitude do
cristão, chamado à insistência na prática do Evangelho.
A insistência pode ser pelo bem ou pelo mal. Esta realidade é
identificada na trajetória de uma guerra, por exemplo, como o que vemos hoje
pela imprensa. Israelitas e palestinos, Rússia e Ucrânia cada vez mais
insistentes em fazer um caminho de destruição. Todos sabemos das consequências
de tudo isso para a humanidade. Vidas destruídas, mas também história, cultura
e bens materiais.
Não sabemos quando terminam essas guerras, porque são
coadjuvadas por nações afins. É aquilo que aconteceu com Moisés ao perder suas
forças diante de um combate, sendo ajudado por outros (cf. Ex 17,11-13). A
força insistente do cristão está na oração, na comunidade e no encontro pessoal
com Jesus Cristo. Ele é a arma que vence, diferente das armas sofisticadas das
guerras atuais.
Falamos de oração, comunidade e encontro com Cristo, mas a
base do cristão vem mesmo é da força encontrada na orientação da Palavra de
Deus, pois é ela que orienta, motiva e provoca a missão. Com o apoio de tudo
isto, o missionário torna-se extremamente insistente na prática comunitária da
justiça e da misericórdia, naquilo que é essencial para construir o Reino de
Deus na terra.
A vida cristã tem a marca profunda da oração. Não deve ser
um pieguismo, mas reconhecimento dos próprios limites humanos e da dimensão de
vida eterna em Deus. Existe aí uma insistência e uma repetição de orações no
sentido de alargar o coração para consolidar o relacionamento filial com o
Senhor e conseguir aquilo que se pede. Rezar não é fácil, porque exige mudança
de atitudes diante do outro.
O Evangelho relata o caso de uma viúva insistente diante de
um juiz impiedoso. Apresenta-se como uma pessoa muito simples, mas persistente
ao exigir que a ela fosse feito justiça (cf. Lc 18,5). Assim é o processo da
oração, não que sensibilize Deus, mas que provoca mudança de comportamento e de
humanização de quem reza. Na verdade, é um envolvimento contínuo com Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba