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19 de outubro de 2026
Ao dizer a expressão, que identifica
“Deus como o centro da vida humana”, isto é entendido e passível de sentimento se
acontecer através da prática concreta do verdadeiro e abrangente amor. Afirmamos
também que, quem ama sente que a vida tem sentido e se convence de que vale a
pena viver, mesmo com as dificuldades naturais. Não é só viver, mas viver com beleza
e dignidade saudável.
Olhando para o aspecto social da vida, além de sua beleza
natural, há exigências éticas pertinentes para a identificação do valor real de
sua existência. Nesse sentido, não descartamos a força do Decálogo, dos Dez
Mandamentos da Lei de Deus e das leis da sociedade constituída. A vida humana
implica situações que envolvem direitos e deveres nas relações das pessoas umas
com as outras.
A vida humana é sentida quando está relacionada com o Estado,
a família e a cultura, precisamente nos espaços por onde ela desenvolve e consolida
suas virtudes que facilitam o relacionamento social, comunitário, religioso,
festivo etc. São espaços de proteção onde o individualismo pode ser superado. O
isolamento causa pânico, medo, pavor, paúra, usando uma palavra propriamente italiana.
A Palavra de Deus, quando é acolhida generosamente no
coração, dá sentido e direção para a vida das pessoas. Ela tem uma força
criadora e renovadora, com capacidade de ultrapassar fronteiras e gerar
missionariedade. Significa sentir a riqueza do próprio viver e o mesmo na vida
do outro, daquele que está além de seus limites. Entendemos isto como fruto da
ação do Espírito Santo de Deus.
A vida humana tem sentido quando valorizada em todos os seus
aspectos. Uma má administração pode ser fonte de desânimo, desestímulo e
frustração total. Dentro deste contexto conseguimos entender a necessidade de
projetos bem trabalhados e preocupados com a vida e a dignidade das pessoas,
principalmente dos mais fragilizados. Isto supõe atenção no momento de dar um voto.
Quem tem o autêntico amor consegue dar sentido para a vida,
mas imbuído do requinte de socialidade, de ida ao encontro do outro, assim como
fez Jesus e isento de todo tipo de discriminação. Ele foi taxativo em relação aos
fariseus, pois cumpriam radicalmente as leis, mas não davam sentido para a vida
de quem não fosse de seu grupo. Foram chamados de hipócritas (cf. Mt 23,27).
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba