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1 de junho de 2026
Nas palavras ternura, acolhimento
e compaixão, ao serem colocadas em prática, deixam transparecer um rosto, uma
expressão de misericórdia. O mundo, de nossos tempos, precisa ter esse rosto,
em vez da ferocidade dos atos de vingança, guerras e intermináveis violências.
Dizemos, que Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. Rosto de vida, não
de agressividade e provocação de morte.
Podemos também falar que, dentro da contextualização dos
direitos, dos deveres, da ética e da estética hodiernos, a misericórdia é uma
forma ampliada do exercício da justiça. O Papa Francisco, ao referir-se à
misericórdia, estava consciente de que a justiça é pilar para essa prática de
compaixão, característica de quem consegue amar de verdade, inclusive na cruz,
perdoar os que o condenavam.
A fé em Deus é escolha e condição pessoal para todas as
camadas da sociedade, devendo ser revigorada continuamente na opção de cada
indivíduo, de coração sensível, a essa dimensão espiritual. Ela é como uma
chama indispensável, firme e estável no prosseguimento através do caminho do
Senhor. Uma fé que tem o qualificado de falsa, caso não pratique a justiça e
nem misericórdia.
Das pessoas munidas e conscientes de fé, ou seja, daquelas
que têm fidelidade e vão seriamente ao encontro do Senhor, se exige uma
linguagem transparente, que confirme ter coerência nas palavras e na conduta de
vida. É um caminho pautado por relacionamentos pessoais e naturais, de imagens
expostas, de onde surgem os atos qualificados como jurídicos, seja de justiça
ou de injustiça.
Ter rosto de misericórdia é realizar aquilo que fez Jesus.
Ele nunca condenou ninguém, e sempre perdoou, mesmo não levando em conta a
condição real da pessoa, apesar de dizer para ela: “Vai, e de agora em diante
não peques mais” (Jo 8,11). Misericórdia não é conformar-se com o mal e nem
viver em conluio com ele, mas ter a identidade do bem e querer o bem para os
outros.
Além de outros textos bíblicos, que revelam a misericórdia
praticada por Jesus, um deles é impactante, quem é chamado para a missão de
proclamar a Palavra, um pecador público, um corrupto, cobrador de impostos, que
contribuía para a injustiça social, porque roubava do Império Romano (cf. Mt
9,9). Como rosto da misericórdia, Jesus vê, chama e restaura a vida de quem
vive na ociosidade da fé.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba