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16 de março de 2026
Há uma imagem muito estranha e
emblemática do profeta Ezequiel, ao usar as palavras: “Eu vos farei sair de
vossas sepulturas e vos conduzirei para a terra de Israel” (Ez 37,12). O autor
alude ao problema da esperança, dos limites da vida humana, mas também a
capacidade de reerguimento e nova vida. Falar de sepultura é tocar na realidade
de morte, de onde pode surgir a vida plena em Deus.
A profecia proferida por Ezequiel aconteceu em tempo de
exílio, quando o povo da promessa estava na condição de refugiado, em terras babilônicas
e no desespero próprio de um presidiário. Nas suas palavras, ossos ressequidos (cf.
Ez 37,2) podem ser recuperados e transformados em vida. Ele acena para a
restauração do povo e sua volta para a terra da promessa, para a cidade de
Jerusalém.
No meio de sofrimentos, onde está Deus, a esperança pode
surgir como força libertadora. A missão dos profetas era evidenciar que Deus
não abandona o seu povo. Isto não é diferente nos dias de hoje. O turbinar da
cultura moderna com os desafios da violência, das guerras e ferimento da
dignidade humana, não significa ausência de Deus, mas respeito que ele tem pela
liberdade humana.
O mundo, sintonizado
na estética e valorização do corpo, em detrimento da verdadeira força do
espírito, não consegue sentir e perceber a dimensão real e a capacidade de
resgate da esperança. Por isto, muitas pessoas partem para o campo do
desespero, porque a elas falta espiritualidade que as sustentem nos momentos
mais difíceis. Sem Deus, a vida perde o sentido e provoca a morte.
A cena bíblica de Jesus, quando cita Lázaro, Marta e Maria (cf.
Jo 11,5), leva consigo a dimensão de desespero e consequente esperança. Lázaro
tinha morrido e estava na sepultura há quatro dias. Marta sensibiliza o coração
do Mestre, que a consola dizendo que Lázaro ia ressuscitar. Para Marta, a
ressurreição era coisa de futuro. Jesus restaura a esperança de Marta
ressuscitando Lázaro.
Em sintonia com o
tema da Campanha da Fraternidade de 2026, “Fraternidade e Moradia” e com as
realidades dos povos envolvidos com as guerras assassinas, podemos imaginar o
tamanho de desespero de famílias por falta de casa e vendo moradias sendo destruídas
por bombas potentes nessa insensibilidade de governos autoritários e
provocadores de destruição e morte pelo mundo!
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba