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23 de dezembro de 2025
A família doméstica é espaço onde tudo
pode acontecer, dependendo do ângulo por onde se olha. Não deixa de ser
ambiente que favorece o amor, ambiente de ternura, de alegria e de solidariedade,
mesmo enfrentando inúmeras dificuldades que a tocam nos tempos hodiernos. O
apóstolo Paulo diz: “revesti-vos de sincera misericórdia, bondade, humildade,
mansidão e paciência” (Cl 3,12).
Aparece, diante dos olhos da cultura dos últimos tempos, a
tendência de enxergar o modelo familiar de cinquenta anos passados e fazer um
paralelo com a realidade do cotidiano. A essência, de fundo, é a mesma, isto é,
o amor, mas o contexto social é totalmente outro, os valores que contam
divergem, forçando reinventar um novo modelo familiar, porque as pessoas são
frutos do meio em que vivem.
Podemos chamar de
família uma determinada comunidade de pessoas. Não é possível descartar dali a
prática das relações, dos vínculos como, por exemplo, comunhão, fraternidade e
caridade. Também, diante das reais mudanças, que apresentam um novo perfil de
relacionamentos sociais, é necessário assumir nova mentalidade e novo estilo de
vida para transformar a comunidade em família.
Celebrar a Festa da Sagrada Família deve ser momento de
resgate da aliança com Deus e de renovar as relações com o outro no contexto da
comunidade, na comunhão e na fraternidade, conforme sugere a carta aos
Colossenses (3,12-13). Nada mais é do que atitude de verdadeira caridade e de
sabedoria divina, que supõe experiência cristã e total assentimento por Jesus
Cristo.
Uma das marcas necessária da família e a capacidade de
solicitude de seus membros, o cuidado de um com os outros, fato que deve ser
reinventado devido ao transformar da sociedade. O direito e as exigências
sociais de hoje são desafiantes e exercem grande influência nas relações
familiares. São gritantes as fragilidades que precisam ser enfrentadas para não
deixar cair por terra os objetivos.
O contexto familiar depende muito de delicadeza e de amor de
uns para com os outros. Delicadeza no sentido de solidariedade e de respeito na
convivência. Todos somos seres humanos, imbuídos de socialidade, de calor
humano e dependência natural. É importante olhar para a família de Nazaré, o
contexto familiar do tempo e a forma como os três, Maria, José e Jesus agiram
no relacionamento.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba