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17 de novembro de 2025
A palavra “rei” teve uma conotação
privilegiada no Antigo Testamento. Era o poder centrado nas mãos de uma única
pessoa e reconhecido pelas demais. Apesar do querer do povo judeu, a prática
não foi tão saudável como se esperava. Como diz o ditado, “o poder quando sobe
na cabeça”, perde o sentido do servir. Para o cristão, o único Rei é o ungido
do Pai, Jesus, que serviu morrendo na cruz.
O verdadeiro Rei é aquele que assume a missão de construir
um Reino de paz, de justiça e amor. Dizemos que esse Rei é Cristo, mas, a
missão se estende para a vida de seus seguidores, também ungidos pelo Batismo e
confirmados no Sacramento da Crisma. Essa missão pesa sobre aqueles que
governam uma Nação, um Estado ou um Município, porque são espaços onde se deve
construir a paz.
Antes de ser implantado o sistema de reinado, entre os
hebreus, e o surgimento do primeiro rei, o Rei Saul, as decisões eram coletivas,
porque o povo estava organizado pelo sistema tribal. Não havia um chefe
absoluto, que ditava as regras para as comunidades. Mas, acontece que tudo
mudou com a chegada de Saul, que agia de forma autoritária, mais como rei e
menos como pastor de ovelhas.
Lamentavelmente, presenciamos cenas desastrosas para o povo.
Entre elas, está o massacre no Rio de Janeiro, numa cidade civilizada, culta,
bela, mas lameada pelo sangue de tantas pessoas motivadas pelo tráfico. O que
vem acontecendo mesmo é ausência de políticas públicas que atendam as
necessidades da população. Onde não está o poder público, estão as organizações
criminosas.
Todo poder deveria ser divino, porque vem de Deus. Mas, a
força política e os conchavos econômicos esvaziam a identidade dos que estão no
poder e agem de forma arbitrária e interesseira. Desta forma, acabam
prejudicando a vida das pessoas e da comunidade por eles administradas. Cada
autoridade deveria ser uma embaixadora de Deus na preservação do bem comum e da
harmonia entre todos.
O pior diante das más administrações é o silêncio do povo e
sua falta de reação. Isso acontecia na cultura dos faraós do Egito, até que
apareceu Moisés com força libertadora e conseguiu que o povo se livrasse
daquelas imposições arbitrárias. É importante olhar para a prática de Jesus,
que não impunha sua onipotência e autoridade. É necessário buscar que tipo de
autoridade devemos eleger!
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba