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2 de setembro de 2025
A linguagem de Jesus é bem determinada,
quando faz o convite à pessoa para o desapego e chama-a a “carregar a cruz”, mas
com fundamento nos princípios de Evangelho. Essa prática supõe consciência livre
e convencimento da importância do sacrifício, por causa do Reino de Deus. Não é
praticar regras periféricas, mas entender, com profundidade, a verdadeira
sabedoria divina.
Paulo, na prisão, converte um outro preso, chamado Onésimo.
Então escreve uma carta ao seu amigo Filêmon e pede-lhe para acolher o escravo
Onésimo, que lhe tinha sido inútil, mas agora, convertido, pode ser útil e que
fosse acolhido como irmão, não mais como escravo (cf. Fm 9-10). Tudo isso
significa que a missão de Paulo, como apóstolo, era de construir a fraternidade
na comunidade.
A vida deve ter a
marca do verdadeiro amor. Para isto é necessário superar, ou desapegar, de tudo
que obscurece a riqueza da fraternidade. As diversas oportunidades e riquezas
disponíveis na sociedade, não são suficientes, e podem até dificultar, a
verdadeira felicidade das pessoas. O principal critério de discernimento é ser
capaz de escolher o que tem dimensão de eternidade.
Cada pessoa humana tem, imbuída em seu ser, a busca de
interesses e desejos pessoais, que nem sempre são condizentes com o que ensina
o Evangelho. Sabemos que os critérios propagados pela Palavra de Deus são
exigentes e determinantes para a identidade da vida cristã. O citado desapego
não se refere apenas a bens materiais, mas também a capacidade de pedir perdão
e perdoar de verdade.
A expressão, “perder tudo par ganhar tudo”, humanamente é desafiante.
Basta olhar para o pensamento de Jesus, ao dizer, deixar pai, mãe, mulher,
filhos, irmãos, irmãs e até a própria vida, para ser verdadeiro discípulo (cf.
Lc 14,26). Além desse desapego, o Mestre exige ainda mais, que é carregar a
cruz no cotidiano da vida. Quantas pedras diárias vão aparecendo no caminho!
Quem perde, ganha, mas tudo tem que ser planejado dentro de uma
visão sobrenatural. Se os critérios forem todos na mentalidade da cultura
capitalista de hoje, cultura marcada pelo acúmulo, é impossível entender a
sabedoria do caminho de Jesus. Veja o jovem rico do Evangelho, que saiu de cena
(cf. Mt 19,21-22), porque não foi capaz de seguir o conselho de desapego do
Mestre.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba