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27 de julho de 2026
Para a Igreja, o povo brasileiro precisa
participar, com mais consciência, nas eleições de 2026. É compromisso da
política promover a justa ordem do Estado e da sociedade. Não significa
substituir o compromisso do Estado na organização da política e nem a ter sob
suas mãos. A Igreja quer oferecer a sua contribuição com a formação ética e
critérios de coerência nas decisões do cidadão.
Não podemos perder de vista a importância da ética política
e administrativa. O que está em jogo é a defesa da dignidade humana e da vida
das pessoas. A ação política deve promover a paz e a solidariedade. Isto será possível
se todos contribuírem com a campanha contra a corrupção eleitoral. Campanha
desleal, compra de votos, com uso da máquina pública, é imoral e contra a ética.
Vamos eleger o Presidente da República, Governadores dos
Estados, representantes do povo nas Assembleias Legislativas, em âmbito estadual
e federal. Os eleitos, deverão dar os destinos necessários para o país. Isto
exige de todos nós responsabilidade. Sintamos o peso da frase popular: “O voto
não tem preço, ele tem consequências”, que podem ser danosas para todo o povo
brasileiro.
Não devemos colocar em jogo as esperanças. Somos desafiados pelos
inúmeros escândalos públicos. Assim entendemos as palavras do Papa Bento XVI,
na Encíclica “Deus é Caridade”, onde ele fala da questão política na aplicação
do amor cristão. Para o seu entender, faz parte da vida do cristão a militância
política. Ele tem o dever de trabalhar por uma ordem justa na sociedade.
O cristão deve assumir função legislativa para promover o
bem comum. A Igreja não assume opções partidárias, mas procura formar as
consciências. Ela não deve colocar-se no lugar do Estado e nem ficar à margem
da luta pela justiça. Em outras palavras, é o Estado quem deve organizar a
política e não a Igreja. Por causa disto, o voto deve ser dado com
discernimento responsável.
Temos hoje os grandes desafios provocados pela adoção de
políticas geridas por um sistema capitalista neoliberal. A sociedade sempre
sofre as consequências dessa realidade. Daí vem a violência, o crime
organizado, a exclusão social etc. Somente um quadro político sadio e
responsável poderá trazer esperança de mudança para criar uma realidade
benéfica, autêntica e democrática ao país.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba