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16 de dezembro de 2025
Quem não quer ter vida feliz,
imbuída de projetos novos? Mas, projetos que vão além da dimensão simplesmente
humana, aqueles que envolvem o contexto espiritual e atingem o interior das
pessoas. Aí está o sentido do Natal, isto é, a presença de Jesus Cristo, como Deus,
que vem fazer morada no coração de quem faz opção de vida por Ele e o segue no
caminho espiritual de sua história.
O profeta Isaías anuncia a chegada do Emanuel (cf. Is 7,14)
ao anunciar vida nova para dar sentido à história da humanidade. Quando nasce
Jesus, traz consigo a presença da Boa-Nova do Reino de Deus. Essa realidade se
concretiza nas palavras do Evangelho, porque ali está a indicação das normas necessárias
para a pessoa conquistar o verdadeiro sentido e a felicidade própria da vida
nova.
Vida nova pode significar prosperidade, tranquilidade, fato
este que não descarta as ameaças vindas do contexto comunitário e dos
relacionamentos. Pode até ser situação esporádica e passageira, principalmente
quando a pessoa não deposita sua confiança em Deus. Portanto, é imprescindível
ter capacidade serena de discernimento para escolher aquilo que conta na
estruturação da vida nova.
O Emanuel, anunciado por Isaías, em tempos passados, era
proposta de uma novidade na história da salvação, o cumprimento da promessa de
aliança, que o Senhor tinha feito com Abraão, quando era nômade nas terras da
Mesopotâmia (cf. Gn 12,1ss). Com isto, dizemos que Jesus é fruto de uma longa e
fecunda história, que atravessou o Antigo Testamento e se concretizou como Boa
Nova.
Hoje olhamos para a Igreja como entidade vocacionada para a grande
missão de ser guardiã dessa novidade, dentro do contexto de sacramento, de ser
sinal do Reino e de transmissão do sagrado no cotidiano das pessoas. Faz parte
do seu trabalho dedicar-se à causa do Evangelho e do anúncio credenciado da
Palavra de Deus nos diversos ambientes e aglomerados humanos e sociais.
A infância de Jesus é a perfeita novidade do Reino da vida,
que consolida realidade nova para quem o acolhe generosamente no coração. É em
Jesus Cristo que devemos depositar nossa confiança, porque ele, como dom de
Deus, é diferente das forças e dos poderes falíveis do mundo. Da nossa parte,
cabe ser capaz de escutar e saber discernir aquilo que nos torna pessoas novas,
com vida nova.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba