Aguarde...
2 de dezembro de 2025
Quando lemos todo o Antigo
Testamento, sentimos que as palavras dos profetas tinham características
específicas de apresentar figuras. Elas tomaram formas no Novo Testamento. Assim
foi João Batista, uma figura, apresentada como precursor da chegada do Senhor.
Ele não era o esperado, mas foi figura do Cristo, daquele que se tornou
acontecimento na encarnação e no nascimento.
João Batista era uma pessoa totalmente despojada, despida de
todo tipo de vaidade e de egoísmo. Foi realmente uma autêntica figura de Jesus
Cristo e fez o câmbio de um longo passado para uma realidade nova e aberta,
para realizar a construção do Reio de Deus. Ele anuncia o nascimento de um
descendente de Davi, sobre o qual deverá surgir um mundo de justiça e de paz
para a humanidade.
A tônica principal, aquilo que caracteriza mesmo o tempo do
Advento, vem da pregação de João Batista, quando ele diz: “Preparai o caminho
do Senho, endireitai as veredas para ele” (Mc 1,3). É uma mensagem que atinge a
todos nós nesta preparação para a chegada das festas natalinas. Mais ainda, é
convite ao arrependimento e ao propósito de vida nova e de intimidade com o
Senhor.
Jesus vem como mensageiro da paz e para reconstruir o mundo,
porque ele está mergulhado na violência e na injustiça. Em Jesus repousa o
Espírito Santo, com todos os seus sete dons, como indica o profeta Isaías (11,2):
Sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, entendimento, piedade e tenor de
Deus. Não existe verdadeiro Natal sem abertura dos corações para o Espírito de
Deus.
O período do Advento,
tempo em que acontece a Novena de Natal em família, é a ressonância da ação da
Igreja para atingir a prática de fé das pessoas, principalmente dos cristãos,
para criar neles proximidade da Palavra de Deus e encontro pessoal com Jesus
Cristo. A intenção primeira é a passagem de um Natal do comércio, do Papa Noel,
para a presença de Jesus Cristo no coração de todos.
A contundência contida no anúncio proferido por João revela
o perfil da identidade do Natal do Senhor. É o porvir profético de tempos
inéditos, porque será a consolidação messiânica do amor e de encontro das
pessoas com Deus. Essa atitude significa apontar caminho da salvação, aquilo
que é revelado na presença de uma criança, que nasce numa manjedoura, nos
arredores de Belém.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba