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22 de junho de 2026
Toda construção depende de
fundamento sólido para lhe dar firmeza e sustentação. A Sagrada Escritura diz
que, casa construída sobre areia, acaba caindo (cf. Mt 7,24). A Igreja,
organizada como espaço onde as pessoas crentes expressam seus compromissos de
fé e a prática do Evangelho, tem seu fundamento apoiado nas pessoas de Pedro e
Paulo, apóstolos que deram a vida pela causa de Jesus.
Esses dois apóstolos, peregrinando por caminhos diferentes,
mas apoiados na mesma fé, indicados pelo próprio Cristo, estão nos fundamentos
da instituição Igreja Católica Apostólica Romana. Os dois tiveram a mesma sorte
do martírio, por causa da fé no Mestre Jesus. Hoje encontram-se sepultados em
duas Basílicas Maiores, em Roma, e venerados como colunas de sustentação da
Igreja.
Pedro está na base da instituição eclesial, conforme dizem
as palavras de Jesus, ao se referir a Simão, tu és Pedro e sobre ti construirei
a minha Igreja (cf. Mt 16,18). Jesus o
chama de pedra, daquilo que dá solidez e sustentação para uma construção. Paulo
apresenta outra realidade da Igreja, a missionariedade, chamado de apóstolo dos
gentios. Assim a Igreja é instituição a serviço da missão.
Pedro e Paulo estavam presentes na Igreja nascente, tempo de
perseguição, de medo e de violência. Por causa da fé em Cristo, vários dos
apóstolos tiveram o caminho do martírio. Derramaram o sangue para fecundar a
missão da Igreja. O martírio não significa fraqueza da instituição, mas
consolida seu papel de evangelizar e anunciar os objetivos da fé em Deus, a
defesa da vida humana.
A vida passa e a história fica gravada para a posteridade.
Hoje, olhando para o passado, visualizamos as importantes figuras de Pedro e
Paulo, cumpridores fieis da missão que Deus confiou a eles, e deixaram um
legado significativo de testemunho de missão e fé, que está registrado, ainda
hoje, e presente na mente dos cristãos. Isto é sinal de que a vida humana não acaba
com sua morte física.
A vida dos apóstolos foi marcada por grandes desafios. O cenário
era de muita incredulidade, desconfiança e de maldade. Além disso, estava em
jogo o acreditar na identidade de Jesus, justamente daquele a quem defendiam.
Mas eles tinham esta certeza, como afirma o apóstolo Pedro: “Tu és o Messias, o
Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Com isto, Jesus chama Pedro de bem-aventurado.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba