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9 de setembro de 2025
Exaltar a cruz, que levou à morte de
Cristo, não significa fazer um elogio referente ao sofrimento, podendo até dizer
que fosse uma atitude masoquista, de prazer no sofrimento. Ela tem uma
significação desafiante, humanamente falando, porque envolve uma decisão, que
ultrapassa os conceitos da cultura, e chega a ser uma atitude essencialmente de
amor ao próximo, morte que gera vida.
A Palavra de Deus nos leva a entender o que significa a cruz
e a ter um aprendizado sobre ela. Na figura da serpente de bronze colocada
sobre uma haste (cf. Nm 21,8-9), está bem presente um indicativo misterioso,
porque revela, profeticamente, o que deveria acontecer com o Cristo no alto de
uma cruz. Lá era a cura de quem fosse ofendido por uma serpente. Em Cristo,
vida que vence a morte.
Não podemos deixar de dizer que a vida tem muitas marcas de
cruzes, de sofrimento, de desânimo, cansaço etc. Mas, o sentido real da cruz,
no entender da prática de Jesus Cristo, é superação de tudo que fragiliza a
vida humana. “Olhar para a serpente de bronze” era receber de Deus
possibilidade de vida após o ataque de uma víbora assassina. Deus não é Deus da
morte, mas da vida plena.
É fundamental entender que a serpente de bronze na haste era
um pedido de Deus (cf. Nm 21,8), até para dizer que a ação divina passa por
aqueles sinais que tocam nossa sensibilidade. Creio ser esse o sentido mais
profundo de nossas imagens. Elas são como forma das pessoas estarem olhando
para cima e confiar mais na providência de Deus diante dos limites que as
fragilizam.
A Palavra de Deus diz que quem se humilha, será exaltado.
Parece um paradoxo, mas esta é a realidade do projeto divino. Olhar para Cristo
na cruz é olhar para cima, que só tem sentido quando a pessoa é capaz de olhar
para baixa, para suas fraquezas e limites humanos. No alto da cruz Cristo
resgata quem está morto por suas fraquezas e desatenção às próprias
fraternidades humanas.
Passar pelas cruzes e sofrimentos, na vida terrena, pode
significar trajeto determinante para a conquista da eternidade. É o mesmo
sentido da porta estreita, daquela que se abre a partir da profundidade dos
critérios de discernimento e da qualidade do testemunho na vida diária. O pano
de fundo determinante de tudo é o amor, a capacidade responsável de relação e
de doação.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.