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22 de abril de 2026
A palavra “pastor” vem de um
verbo latino, “pascere”, que tem como significado, “conduzir ao pasto”, “levar
ao pasto”, mas com uma finalidade específica, a de “alimentar”, no caso, de
apascentar ovelhas ou algum tipo de animal. Na verdade, o pastor tem como
compromisso cuidar, proteger e governar, tanto os animais como comunidade de
pessoas. Jesus era chamado de Pastor das ovelhas.
Em uma das cartas bíblicas, escrita por Pedro, encontramos a
motivação do autor sagrado falando do papel do pastor, daquele que se coloca a
serviço do rebanho de Deus (cf. IPd 5,2). Pedro ainda acrescenta a identidade
do pastor, dizendo que, ser pastor, como o Cristo Pastor, exige simplicidade,
humildade, amor pela vida das ovelhas e que ele se deixe guiar pela iluminação
do Espírito Santo.
A ideia de pastor é sim aplicada a Jesus, mas também às
autoridades e lideranças do setor político e religioso. Todos aqueles que têm
autoridade são revestidos desta identidade pastoril, de cuidado com aqueles que
pastoreiam. É importante agir da mesma maneira como o fez Jesus, com
responsabilidade, verdade, justiça e amor ao bem, servindo os que são
destinatários da missão.
O verdadeiro pastor, aquele que tem autoridade e missão, não
pode ficar indiferente e apático diante dos problemas que, inevitavelmente, vão
aparecendo. Em outras palavras, o não cumprir as próprias obrigações, deveria
deixar, na pessoa responsável, um coração todo ferido pelo remorso, por um
sentimento interior de injustiça. Muitos pastores são inabilitados para tarefas
importantes.
A cultura é marcada por muitas imperfeições. É justamento, por
isto, que há necessidade de pastores preparados e capazes para conduzir a
história das comunidades. Existem, por aí, falsos pastores, que são verdadeiros
mercenários, mais preocupados com interesses pessoais do que com o bem e a vida
do povo. Muitos deles são grandes exploradores do bolso, dos bens e da fé das pessoas.
Todo administrador do setor público deve ser pessoa munida de
confiança, autenticidade, e agir como pastor, com o compromisso de dar
dignidade e de abrir os olhos das pessoas no caminho da libertação. Não pode
ser empecilho, que dificulta e fecha portas para o desenvolvimento dos outros,
pois, agindo dessa forma, estará impedindo o crescimento da sociedade e
prejudicando a todos.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba