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11 de agosto de 2025
Parece ser uma expressão banal, mas,
na linguagem simples de Jesus, retomada depois pelo Papa Francisco em seus
escritos, tem um profundo significado dentro da dimensão e da prática da fé.
Jesus diz que Ele é a porta do aprisco, por onde devem passar as ovelhas, indo
ao encontro do Pai. Papa Francisco diz de não fechar portas e abrir caminhos
que levem a objetivos claros de vida.
Para
Jesus Cristo, o Reino de Deus tem uma “porta estreita” (cf. Lc 13,24), que
supõe autêntico esforço e total dedicação da pessoa para que possa entrar por
ela. Passagem que exige verdadeira transformação interior, uma mudança profunda
de coração e mente, dentro da dinâmica do projeto de construção do Reino
eterno. Ante as imperfeições, supõe responsabilidade pessoal e misericórdia de
Deus.
Porta
estreita, na visão bíblica, não significa ação estática de Deus, fechada, como
aquilo que impede a passagem de quem quer passar. Talvez podemos entender essa
realidade como fruto de um processo histórico, que acontece durante toda a vida
terrena da pessoa. Deve ser consequência dos atos realizados, diuturnamente,
com maduro discernimento e escolha das coisas positivas e boas.
Ao
entender o sentido da porta estreita, devemos saber que há um cuidado amoroso
de Deus ao falar das pessoas, convidando-as a uma vida de retidão e de amadurecimento
na prática da vida moral e espiritual. É o “hoje” da pessoa, a prática da
justiça, do amor fraterno e da verdade que vão definir a dimensão real da
porta, se estreita ou larga, que leva ao caminho da eternidade.
A
entrada definitiva no Reino de Deus acontece quando feita no processo de
conversão, de renúncia, de compromisso e de esforço pessoal para colocar em
prática os ensinamentos do Evangelho. Ser cristão, ser de Cristo, não é tão
fácil, mas possível, porque a salvação está aberta para todos e sem exclusão.
Deus não exclui, mas espera a escolha e discernimento de cada pessoa humana.
A
vida das pessoas tem as marcas de profundas, árduas e contínuas, de luta e
conquista, envolvida com uma sociedade onde está presente a possibilidade da
prática da justiça ou da injustiça. Assim podemos dizer que a identidade
pessoal se define a partir dessas circunstâncias. Mas a porta está sempre
aberta para quem faz seu discernimento, escolhendo aquilo que é caminho do
Reino.
Dom
Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba