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27 de abril de 2026
Não é exagero dizer que hoje vemos
uma sociedade marcada pela força incisiva da competição e pelo individualismo.
Uma realidade que é alimentada pelos propósitos ao decidir pelas guerras
assassinas, pelas diversas organizações criminosas, na polarização das escolhas
políticas, sociais, econômicas e religiosas. Interessante que Jesus, alheio a
isso, diz: “Quem me vê, vê o Pai” (cf. Jo 14,9).
Encerramos a 62ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos,
em Aparecida, com a presença de mais de trezentos bispos de todas as dioceses
do Brasil. Foram dez dias de intenso trabalho para ouvir e sentir as realidades
que atingem o povo brasileiro. Foi um olhar para o hoje da realidade e descoberta
de como evangelizar para ajudar as pessoas na superação de suas dificuldades.
A Igreja sempre teve um olhar atento para as realidades
cotidianas. Isto já era consolidado entre os primeiros cristãos. Assim
aconteceu quando os apóstolos pediram a comunidade para escolher sete homens de
confiança para serem enviados para a missão de olhar as dificuldades dos mais
fragilizados e atendê-los (cf. At 6,3). O olhar de Deus se faz através da ação
do Espírito Santo.
Ao olhar para o mundo, particularmente, para as realidades
que estão perto de nós, torna-se desafio para quem procura fazer o bem. Vemos
muitas “desgraças” de todos os tipos e cantos. Às vezes, o mal parece vencer,
mas não é isto que deve pensar quem acredita na ação divina, na certeza do bem.
O mal é pedra no caminho dos honestos, mas Cristo é pedra de tropeço para os
maus (cf. IPd 2,4).
Em ano de eleições, o que vemos hoje, no país? Como está o
olhar do povo brasileiro diante de tantas narrativas contagiosas e apimentadas
por uma forte trajetória ideológica com a finalidade de convencer as pessoas?
São realidades que causam muitas incertezas e preocupação em relação ao futuro
do país. Sabemos que um voto mal dado traz consequências desastrosas para todo
o povo.
Aproxima-se a festa da Ascensão do Senhor. O destino das
pessoas é a pátria celeste, onde não haverá mais ideologias e nem necessidade
da escolha de autoridades. A Autoridade é Deus, para quem devemos olhar com
olhar de esperança, seguindo o que Jesus diz: “Ninguém vai ao Pai senão por
mim” (Jo 14,6). Então, conhecê-lo é a condição para a pessoa acessar o Pai, que
está no céu.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba