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13 de outubro de 2026
A expressão pode ter significados
diversos, mas o centro mesmo é Deus, o Senhor da história e da existência de
cada ser, seja ele humano, animal ou vegetal. Para o ser humano, habilitado
para os relacionamentos e convivência, é fundamental o testemunho de fé,
esperança e caridade, aquilo que entrelaça o humano com o divino e possibilita
a prática da caridade, do amor e da fraternidade.
Algumas situações históricas podem desviar nossa atenção do
centro, daquilo que é mais importante para a vida de todos. Para o antigo povo
judeu, o templo de Jerusalém era local de convergência, porque foi o seu principal
centro religioso, era lugar sagrado e refletia a presença de Javé. Em Deus
construímos uma história de esperança, que culmina com o clima de realização
pessoal e comunitária.
O cenário, que envolve o Exílio da Babilônia (cf. Jr 29,4),
desarticulou totalmente os israelitas, porque perderam seu centro de unidade e de
vida. Não é diferente daquilo que está acontecendo na cultura moderna, totalmente
manipulada pela Inteligência Artificial e pelas novas tecnologias. Nessa
realidade, o centro da vida não é mais Deus, é a pessoa, às vezes
descaracterizada na sua identidade.
Nesse contexto de mundo, não significa que Deus, o centro da
vida em todos os tempos, tenha se distanciado do cotidiano do ser humano e da
história dos povos. Os registros contidos e encontrados nas Sagradas Escrituras
revelam e mostram a constante presença divina, mesmo nos momentos que marcam a
vulnerabilidade das culturas, de afastamento da fé e perda da esperança.
A presença de Deus na existência humana acontece por uma autêntica
experiência de fé, pela força da caridade e firmeza na esperança. São virtudes
que sintetizam o estilo de vida de quem teme a Deus e procura fazer dele o
centro de sua vida. Aquilo que chamamos de estilo de vida não pode ser pautado
pela incoerência, hipocrisia e prática contumaz de desonestidade.
Numa história globalizada, virtual, as pessoas não podem
perder o seu chão, a vida concreta, que o Papa Francisco chama de localização. O
centro da vida não está nas nuvens, na superficialidade e no descompromisso,
como se fosse uma “fuga do mundo”. Para o cristão, a vida tem uma
transcendência, confirmada pela presença constante de Deus como o centro de
toda atividade da história.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba