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20 de julho de 2026
O ser humano tem valores
existenciais, que estruturam seu modo de agir na sociedade. São realidades, às
vezes, boas ou menos boas. Não deixam de ser instrumento pessoal de busca
daquilo que faz a pessoa ser feliz. O Evangelho fala dos talentos, dos tesouros,
que expressam as grandes riquezas da sabedoria divina presentes no ser humano. Creio
que o maior tesouro seja a dignidade da vida.
Algumas coisas são perenes em nós, mas existem também os
valores efêmeros, que não constituem prioridades e causam falsas seguranças. As
perenes estão ancoradas em Deus e nos objetivos da vida divina, voltadas para a
eternidade. As efêmeras estão mais ligadas às nossas próprias iniciativas,
condicionadas às esferas do ser criado, ser que faz história para conseguir sua
estabilidade em Deus.
O Reino de Deus é prioridade absoluta e o maior tesouro na
vida das pessoas. Tesouro, que exige ser conquistado através de atos
responsáveis no transcurso das atividades cotidianas. Para conquistá-lo, a
pessoa é mediada por muitos sinais sensíveis da ação de Deus na História da
Salvação. Os cristãos se apegam na força da Palavra divina e no testemunho
autêntico das pessoas conscientes na fé.
A responsabilidade ética é um sábio tesouro na caminhada
social, principalmente quando colocada a serviço do bem comum, pois esta é a
vontade de Deus em relação às pessoas. Por isto, nunca pode ser fruto apenas de
riqueza material, de poder ou prestígio totalmente intimista, mas, da vontade
inerente ao ser existencial de cada indivíduo, realizada com boa intenção e
querer servir.
Para os cristãos, tendo em vista o itinerário de salvação, a
prioridade, considerada como maior tesouro, é a Pessoa de Jesus Cristo, Deus
feito homem. Então, por causa dele, serem capazes de renúncias significativas dentro
de um processo de discernimento feito no meio de tantas possibilidades de
outros tesouros, muitos deles também importantes, encontrados na cultura
moderna.
Nas instruções contidas na Palavra de Deus, o maior tesouro
evidenciado como tendo grande valor, é o duradouro Reino de Deus. Mas, um tesouro
a ser construído paulatinamente por cada pessoa de fé, porque ele existe como
realidade de coisas boas, coisas ruins, às vezes novas e também velhas. Com
isto, escolher bem não é fácil, porque exige decisão, coerência, determinação e
sabedoria divina.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba