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8 de setembro de 2026
Bairrismo significa apego
exagerado pela sua cidade, seu bairro ou até seu local de nascimento. Realmente
devemos valorizar aquilo que nos toca mais de perto, que envolve
relacionamentos e desejo de progresso. Não há nada de mal nisto. Mas aqui quero
dizer de um bairrismo diferente, de uma questão que afeta muito a vida de uma
cidade ou de toda uma região, questão referente às eleições.
Existem as afinidades naturais, os sentimentos individuais e
paixão por determinados candidatos ao pleito eleitoral. Sabemos que o voto é
uma expressão da consciência e de total liberdade do eleitor, para credenciar,
e digo mais, em nome de Deus, para o sufrágio de seu voto. Todo poder vem de
Deus, senão ele não é verdadeiro, pelo fato de votar sem liberdade, que
identifica o ser mesmo do eleitor.
Sabemos que há um número grande de partidos, formados por
muitos candidatos, e os votos ficam muitos desconcentrados. Acaba, ninguém
sendo eleito e a região fica desamparada. Assim é Uberaba, com uma população de
quase quatrocentos mil habitantes, que passou quatro anos sem nenhum
representante federal e nem estadual. É prejuízo, porque muitas verbas não
chegam na cidade.
O que estou querendo dizer com tudo isto, e isento de
qualquer espírito de politicagem, é que devemos votar em candidatos da própria
região, naqueles que têm condição de intermediar verbas para os Municípios. O
eleitor estará contribuindo para ajudar no desenvolvimento econômico local. Os
municípios dependem também de verbas estaduais e federais, que veem através dos
políticos.
A política faz parte da vida humana. Aliás, política é a arte
de bem governar, não governar só para dentro, para os interesses pessoais, mas
para a coletividade. Votar é dar crédito a quem pensa e luta pelo bem de todos,
que está preocupado com o bem comum da população. É uma dimensão de
espiritualidade, porque “vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor” (Rm 14,8).
A reflexão que faço, nesta matéria, significa tarefa da
Igreja no trabalho de orientar a sociedade da importância de votar bem e com
plena consciência. Se fazemos isto com seriedade e liberdade, estamos dando a
nossa contribuição para o bem público. Da parte do eleito, fica a esperança de
ser um bom e responsável gestor público, agindo com despojamento, honestidade e
proteção divina.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba.