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17 de agosto de 2026
A
vida é fruto de uma escolha. Ela precisa ser consciente e responsável, porque
traz consequência social. É o caso do voto, por exemplo, na indicação de um
candidato, nas próximas eleições. Isto é um ato que expressa liberdade e ação
divina. Não significa que o escolhido tenha todas as qualidades para a função,
mas temos que acreditar que “Deus capacita os que são escolhidos”, com
liberdade.
As formas de um poder legítimo não
surgem só da iniciativa humana, mas da justiça de Deus, que dá e tira a
autoridade, como aconteceu com Sobna e Eliacim (cf. Is 22,15-23). No contexto
eleitoral, o povo escolhe as autoridades políticas, e faz isto em nome de Deus,
mas também tem a força para destitui-las do poder, caso governem com
irresponsabilidade e sem atenção ao bem comum.
Os
caminhos sábios de Deus vão além da compreensão do que é empreendido pelos
homens, sinal de que nunca podem dizer que sejam donos da verdade. O ser
humano, por muito pouca coisa, se deixa levar pelas inverdades e se torna vulnerável
ao assumir papel de responsabilidade. A segurança e a confiança veem de Deus e
de seguimento do que nos é transmitido pela Palavra do Evangelho.
O perfil da fé em Deus, como uma consequência
natural da revelação divina, é fundamental para quem quer servir, de forma
justa e honesta, uma comunidade humana. Na verdade, Deus age na história dos
povos e atua como protagonista do bem e de forma gratuita. Ele desaprova o mal
na administração pública, quando o poder está concentrado na auto promoção e
não no bem comum.
As pessoas precisam ter estabilidade na
comunidade onde vivem. Dependem da organização e da ordem pública,
administradas pelos políticos, eleitos pelo sufrágio de todos. É tarefa deles
combater todos os atos de desordem na vida comunitária e não deixarem que
práticas e organizações criminosas tirem a paz das pessoas de bem. Portanto,
não é qualquer pessoa a assumir função tão relevante.
Jesus testou Simão Pedro antes que lhe fosse
entregue a missão de presidência dos apóstolos e de se tornar uma das colunas
da Igreja. Este deve ser também o caminho a ser feito pelo povo brasileiro ao
escolher os dirigentes para a próxima gestão legislativa e executiva de nosso
país. Não é missão fácil, porque ninguém tem estrela na testa, mas tem história
de vida a ser observada.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba