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25 de maio de 2026
A palavra “mistério” parece ser
alguma coisa escondida e está em segredo. Dizemos que Deus, para nós, é um
mistério, porque não é visto, a não ser na pessoa do outro, porque ele é sua
imagem e semelhança. Talvez pudéssemos falar que existe uma excelência no
mistério de Deus-Pai, humanizado na Pessoa de Jesus Cristo e agora presente na
história através da ação concreta do Espírito Santo.
A excelência do mistério da Santíssima Trindade acontece no
exercício da vida fraterna e na maneira como as comunidades cristãs vivem o
Amor. Ela deve ter o reflexo da forma como se relacionam, na Trindade Divina, o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Neste contexto, a palavra que tem maior
expressividade é a “unidade”, com profundo respeito pela natural diversidade
entre as pessoas.
A prática da unidade exige renúncias, superação de atitude
individualista e fechamento ao outro. As consequências são saudáveis e de
alegria, porque faz bem conviver bem, principalmente quando a vivência do
Batismo e a prática da fé são colocadas em compromissos comunitários. O
isolamento dificulta a unidade e causa desconforto na vida de quem conta com a
participação de todos na convivência.
Creio que podemos dizer de mistério da excelência o fato de
Deus entregar a Moisés as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos do Decálogo, atualizando a promessa de Aliança
que tinha feito com o nômade Abraão no primitivo tempo histórico do Mistério da
Salvação. Mistério que se revela como relação entre o divino e o humano. Deus
se fez próximo, mesmo preservando o mistério de sua existência.
Deus realmente é mistério para todos os humanos, por ser
perfeito e onipotente, exigindo dos crentes uma verdadeira atitude de fé e de
abandono nesse grande mistério. Acontece que o ser humano também não deixa de
ser mistério, pois ninguém conhece a si mesmo de modo totalmente perfeito. A
vida toda é espaço de conhecimento, de trabalho e de amadurecimento, com
auxílio da tecnologia.
Nesse mistério da excelência de Deus está presente, como
objetivo, o mistério da salvação, que acontece através da mediação de Jesus
Cristo. Agora é encontrar, nos sinais realizados por Jesus, as motivações para
uma fé madura, com prática comunitária, no caminho de salvação, nossa
incorporação ao amor divino. Assim devemos saber que a Trindade não é para ser
entendida, mas vivida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba