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27 de outubro de 2025
Há uma única certeza na vida, que
não pode ser desprezada: Só a vida de Deus e em Deus é eterna. Então, tudo
termina na morte, porque é a experiência da partida definitiva. No dia de
finados a gente fica apenas com as lembranças, a saudade e o mistério da morte.
Aí que a pessoa experimenta os seus limites, sua finitude e vazio existencial,
e só pode ser preenchido na prática da fé.
A morte é o encerramento da missão terrena. Os cristãos
falam da comunhão definitiva com Deus, porque a vida eterna não é espaço de um
eterno vazio. Visitar os cemitérios, no dia de finados, revela e significa
acreditar numa vida após a morte. E não é só isto, mas também dar atenção aos
anúncios da Palavra de Deus, que motivam as pessoas para a dimensão de
eternidade feliz em Deus.
A vida terrena é curta para toda a humanidade, mesmo para
aqueles que ultrapassam os cem anos de existência. É nesse tempo que começa a
dimensão da eternidade, o que a pessoa leva consigo no coração. Não são as riquezas
materiais, mas a qualidade do bem praticado, que tem relação com a dignidade, a
justiça e o amor ao próximo. Assim, a morte não é fim de tudo, mas início de
tudo.
Uma frase bíblica fala da vida eterna: “As almas dos justos
estão nas mãos de Deus” (Sb 3,1). Diz o autor que a pessoa não pode viver na
insensibilidade diante dessa realidade, desconfiada em relação à vida após a
morte. Vida eterna como dom de Deus, não totalmente merecida pelos atos
praticados com justiça, mas pela bondade e a misericórdia do Senhor, que acolhe
a todos.
Há pessoas que se opõem aos ensinamentos bíblicos que falam
sobre a vida eterna. Na verdade, a fé é um dom de Deus, mas também supõe uma
escolha, um discernimento, uma opção. O ensino da Palavra do Evangelho leva em
conta a liberdade de quem a escuta. Ela é proposta de novos céus e nova terra,
imbuída de incentivo para superar os limites que dificultam o conforto da vida plenamente
feliz.
O dia de finados revela a riqueza da sabedoria de Deus e a
nossa confiança nele. Por isto vemos a morte como condição para uma nova vida,
o mesmo que acontece com a semente colocada na terra, que morre para nascer e
produzir novos frutos. Desta maneira entendemos que a vida não está em nossas
mãos. Ela é do Criador, mas tem que ser defendida ainda enquanto é tempo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba