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13 de julho de 2026
O equilíbrio vivencial, ou
convivência ética entre as pessoas, depende muito dessas duas importantes
virtudes, desses dois dons, justiça e bondade. As duas são complementares e
ajudam na retidão de caminhada. Justiça significa dar a cada um o que lhe
pertence. A bondade vai além das normas estabelecidas e cria sentimento de
compaixão, empatia e consegue amolecer a rigidez da lei.
Diz o Salmo que “Deus é um justo juiz” (Sl 7,12). Também,
que “é misericordioso e compassivo” (Sl 103,8). Se somos a imagem e a
semelhança Dele, deve ser essencial, em nossa vida, a justiça e a misericórdia.
É uma grandeza, que se deve expressar na compaixão e na maturidade quando
fazemos as nossas escolhas, caso contrário, evidenciam-se a injustiça, o espírito
de competição e de vingança.
A justiça e a bondade têm uma dimensão que ultrapassa os
limites do humano. Por isto, são práticas divinas, com iluminação do Espírito
de Deus nas atitudes de fé das pessoas. Assim, na relação entre os indivíduos,
a Justiça e a bondade implicam respeito e defesa de direitos e deveres na
convivência social. As decisões, nas relações, têm que ser feitas com muita
sabedoria e liberdade responsável.
Há um profundo
descuido em relação à prática da justiça em nosso país. São pessoas
comprovadamente comprometidas com atos de injustiça e até em organizações
criminosas. O que se percebe é a existência de políticos desonestos, que ainda
se apresentam como candidatos a cargos públicos e, pior ainda, são eleitos. Com
um voto sem compromisso, somos cúmplices dos erros na administração.
O Evangelho menciona a parábola do trigo e do joio, cenário
referente ao bem e ao mal, aos atos de justiça, de bondade e de injustiça,
presentes na sociedade. O interessante é que eles crescem juntos, cada um com
sua força de ação e com consequências para vida pública. Na visão bíblica,
serão separados, o trigo, isto é, o bem será preservado e o joio, os frutos da
injustiça, serão queimados.
Muitos atos de injustiça são escandalosos, transgressores da
lei e afrontam significativamente a justiça e a bondade. Sobre isso pesa a ação
judicial. Diante de Deus, o que pesa de verdade é o juízo divino, com aceno para
o choro e o ranger de dentes (cf. Mt 13,44), a condenação na eternidade. Mas
Deus é sempre paciente e espera a mudança das pessoas em relação a seus atos de
injustiça.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba