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11 de maio de 2026
A prática cristã é firmada através
de um olhar de esperança, de destino, para a eternidade em Deus. Portanto, é um
horizonte de fé nas promessas divinas e consolidada na Festa da Ascensão do
Senhor. O Crucificado-Ressuscitado, Jesus Cristo, volta para ficar ao lado do
Pai, levando consigo a experiência das realidades humanas. Sua missão continua
na terra com a iluminação do Espírito Santo.
Jesus deixou alguns discípulos seus preparados e motivados
para dar continuidade na missão de construir o Reino de Deus no ambiente da
criação. Disse: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo que
vos tenho ordenado” (Mt 28,19-20). A Igreja tem esse sublime compromisso, e foi
instituída para isso.
O horizonte da fé vem dos ensinamentos de Jesus. Fato que deve
estar em perfeita sintonia com o mistério da vida humana e da vida divina, que
começa na terra e tem seu desfecho na eternidade. É o processo da Ascensão do
Senhor, primeiro experimentado por Cristo e prometido para todos aqueles que
fazem o caminho de vivência e comprometimento com os Mandamentos do Senhor.
O mistério da fé não é compreendido a partir da visão física
dos olhos, mas dos sentimentos que veem do coração. Só assim se consegue
entender a dimensão e o sentido da Ascensão do Senhor, a concretização da
Aliança feita por Deus com Abraão lá no passado. O divino e o humano se
entrelaçam em um aspecto de continuidade. Começa na prática da justiça humana e
termina na acolhida divina.
A fé em Deus é a razão de ser dos cristãos. Ela veio da
Pessoa de Jesus e foi testemunhada pelos apóstolos, porque eles conviveram e
receberam dele a motivação para tal. Então, ela é uma fé testemunhal e totalmente
de motivação comunitária, de esperança e de compromisso com a simplicidade da
vida. Quem tem essa sabedoria, tem habilidade para enfrentar os sofrimentos da
vida.
Faz eco, no contexto e no horizonte da fé dos cristãos, o
que o Papa Francisco traduziu, sabiamente, por “Igreja em saída” e missionária.
Também, a missão não é tarefa tão fácil diante de uma cultura marcada pela
incredulidade e pelo indiferentismo em relação a tudo. Temos que reinventar uma
nova forma de evangelizar para conseguir responder ao “ide” proferido por Jesus
Cristo.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba