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26 de janeiro de 2026
O modelo de fidelidade é
encontrado em Jesus Cristo, pois ele é a revelação de Deus-Pai, e fez isso a
partir do Batismo, que recebeu de João Batista, nas águas do Jordão. Fidelidade
na profecia, na ação pastoral e na vida sacerdotal. Para os dias de hoje, Jesus
estaria indo na contramão da cultura. Naquele tempo, estava na contramão da
idolatria, que vulgarizava a identidade de Deus.
A prática da injustiça afasta os injustos de Deus, porque o
Reino de Deus é fundamentado na justiça. A palavra “fidelidade” fica na
berlinda, desfigurada e vazia. As consequências são desastrosas e ameaçadoras
da vida, como acontece nas guerras e na letalidade das organizações criminosas.
A infidelidade pode ser também sem causar morte física, mas sofrimento moral,
social, religioso, psicológico etc.
Deus quer a fidelidade autêntica de seu povo a Ele e não a
adoração a deuses estranhos, identificados hoje como poder, dinheiro e prazeres
desordenados. Quem endeusa o que não é Deus, acaba caindo no vazio e desaparece
com o tempo. Isto aconteceu com o povo de Israel, provocado pela prática da
infidelidade ao Senhor, Jerusalém foi destruída e o resto levado para o exilado
da Babilônia.
É fundamental interpretar, em tempos atuais, o que significa
a expressão, “Fidelidade a Deus”, diante de uma cultura avessa aos princípios
da justiça, como vem proclamado pela Palavra da Sagrada Escritura. Sobre isto
diz o apóstolo Paulo no versículo bíblico: Deus “demonstra sua justiça, no
tempo presente, a fim de ser justo, e tornar justo todo aquele que se firma na
fé em Jesus” (Rm 3,26).
Os valores que contam sobre a vida humana são ditados por
Deus, inclusive com destaque para as pequenas coisas. Nessa visão, a graça divina
é mais importante do que as iniciativas simplesmente humanas, para dizer que
ninguém pode gloriar-se de si mesmo, pois, está escrito, “quem se glória,
glorie-se no Senhor” (ICor 1,31). Daí, a dimensão da graça depende totalmente
da ação de Deus em nós.
A infidelidade a Deus é ser pobre em espírito, é deixar-se
levar pela vulnerabilidade do ser humano e, por consequência, perder a grandeza
daqueles que são chamados de bem-aventurados. São todos aqueles que se deixaram
modelar pela vontade de Deus, na prática de todas as Bem-aventuranças e
seguidores dos paradigmas do Mestre. Devemos entender que fomos eleitos pela
justiça de Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba