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5 de outubro de 2026
A vida humana tem uma dimensão de
eternidade. Mesmo com suas naturais intempéries, as dificuldades e/ou
facilidades, não deixam de ser uma grande festa. O dinamismo efetivo, tanto maior
quanto menor, depende do exercício das virtudes individuais e da forma como
cada pessoa age no seu cotidiano. A harmonia da festa comunitária depende da
prática e da fidelidade à justiça e ao amor.
Biblicamente falando, existe um convite preciso feito pelo
Pai e dirigido a todos, sem distinção e nem privilégio de poucos, ao dizer:
“Vinde para a festa” (Mt 22,4). Essa é uma festa do banquete da vida, da
fraternidade e da convivência comunitária, que não exclui ninguém e abre espaço
para a alegria e fecundidade da existência. Nesse ambiente, as pessoas se
reconhecem como irmãos.
A festa da vida pode ser entendida como refeição familiar,
ou uma celebração eucarística realizada por uma determinada comunidade cristã. Expressa
também a unidade de uma Nação, de um Estado e de um Município. O fundamental é
a responsabilidade partilhada e canalizada para o bem de todos. As iniciativas
devem ser convergentes, criando oportunidades sem privilégios.
Conta muito a generosidade praticada pelas pessoas de uma
mesma comunidade, o espírito de inclusão, a preocupação em relação ao bem do
outro e progresso efetivo de forma sustentável. Sem esses dados, é quase
impossível a vida ser uma festa e os objetivos de a dignidade das pessoas não
sair da utopia. Por isto que lutamos por um Brasil saudável e bem administrado
pelos seus dirigentes.
Jesus fala da festa de um casamento, mas o recinto deveria
ser de portas abertas para todos os convidados. A única exigência era ter o
traje próprio como senha de entrada. Como brasileiros, a senha é o jeito de ser
da pessoa, a livre responsabilidade no cumprimento das tarefas como cidadãos.
Alguém atendeu o convite, mas não se deu conta dessa norma e foi expulso dali
(cf. Mt 22,13).
Nas comunidades humanas, seja no nível internacional, no
nacional, estadual, familiar e nos espaços de convivência, as pessoas devem
expressar a unidade de uma festa. Como participantes, têm uma dignidade, apesar
das diferenças na forma de se comportarem e de envolvimento para criar
convergência. As pessoas precisam sonhar juntas e somar suas habilidades para
construir o bem comum.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba