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18 de maio de 2026
A vida se constrói através dos
fatos e afazeres do cotidiano, enfrentando todo tipo de influência da
sociedade. É a construção de uma identidade durante os passos históricos da
existência. Se isto é projetado na dimensão bíblica, a estrutura da vida é
consolidada com a presença iluminadora do Espírito de Deus. Assim, damos sentido
à Festa de Pentecostes, presença do Espírito Santo no hoje do tempo.
Pentecostes significa diversidade de línguas, comunicação,
entendimento na esfera da diversidade. Na experiência do tempo, do hoje, a
presença do Espírito Santo é fundamental para abrir a mente de quem vive
petrificado nos seus princípios de tradição. O mundo é muito diferente daquele quando
aconteceu o fato de Pentecostes, como está citado no livro dos Atos dos
Apóstolos (2,1-11).
A presença do Espírito Santo, na experiência do tempo, é
fruto do cumprimento da promessa feita por Jesus Cristo antes de sua volta para
a casa do Pai. Ao sacramentar a Igreja com a missão de continuar o anúncio da
Palavra da vida, Cristo a muniu da força iluminadora da terceira Pessoa da
Trindade. As atividades do tempo, feitas sem abertura para o Espírito Santo,
ficam inconsistentes.
Falar do Espírito Santo evidencia o tema da comunicação como
forte experiência dos novos tempos. Fazendo paralelo entre o fato de Babel (Gn
11,9), expressão de confusão, desentendimento e incapacidade de comunicação e
Pentecostes (At 2,1), expressão de unidade, entendimento, capacidade de
comunicação, concluímos que, na experiência do tempo, a comunicação globaliza
nossas atividades.
A comunicação, como dom e experiência do tempo, não é
exclusividade de alguns, é de responsabilidade de todos. Pode ser diferente por
causa dos dotes, da formação e habilidades pessoais. Bem usada, evita confusão
na comunidade e ajuda na convivência. Paulo evidencia que a comunicação vem do
Espírito Santo: “Ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, a não ser no Espírito”
(ICor 12,3).
A comunicação de Cristo, ressuscitado, aos apóstolos, foi
num contexto em que eles estavam fechados no cenáculo e numa situação de medo.
Jesus chega e anuncia a eles a paz, a unidade e a convivência fraterna. A
comunicação globalizada dos novos tempos, superando as inverdades, deve
construir paz, fraternidade, harmonia e não medo e esvaziamento na convivência
entre as pessoas.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba