Aguarde...
4 de maio de 2026
Na visão bíblica, o genuíno amor é
descrito com as marcas profundas da paciência e da bondade. Quem ama de verdade
não é orgulhoso, nem invejoso, vanglorioso, inconveniente, egoísta e não se
irrita com facilidade (cf. ICor 13). Amar é praticar os Mandamentos do Senhor,
impulsionados por ele mesmo, através do Espírito Santo, recebido no Batismo e
reafirmado no Sacramento da Confirmação.
Importa hoje dar razão da nossa esperança, fundamentada no
amor ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Essa é uma atitude dissonante
em relação à cultura do individualismo, que não é capaz de partilhar o que é
acumulado. Não é possível amar com o coração petrificado e incapaz de dar
passos de despojamento e valorizar a pessoa do outro, objeto para a prática do
amor.
No ambiente vivido pelos primeiros cristãos, quando ainda
não existia o espírito totalmente consumista de exclusão, a prática do amor
fraterno era muito mais consistente. No livro dos Atos dos Apóstolos são
citadas comunidades que experimentavam o verdadeiro amor, onde tudo era
partilhado, podendo atender as necessidades das pessoas menos favorecidos,
evitando exclusão (cf. At 4,32-37).
Há um desafio espantoso ao falar de excelência do amor em um
país profundamente mergulhado nas atitudes de desamor. Amar é dar vida para o
outro e não causar morte alheia. Morte em todos os sentidos, porque tudo que
tira a possibilidade da defesa de uma vida saudável, acaba contribuindo para a
morte. Isto está subjacente na destruição da natureza, que foi criada para dar
condição de vida.
Não é caminho correto e nem saudável ir na contramão da
vontade de Deus. Aliás, essa atitude passa a ser uma auto afronta, contra o
amor projetado na criação. Existe um crescente adoecimento da sociedade em
relação ao amor. Parece até um contra senso diante do bonito avanço da
tecnologia, que não favorece a fraternidade. Pelo contrário, torna as pessoas
mais desumanas e carentes de amor.
Amar não é uma simples confiança, mas adesão de vida, de
autêntico compromisso com o outro. Foi o que fez Jesus, porque conseguiu amar
até quando pendurado numa cruz, ao dizer: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o
que fazem!” (Lc 23,34). Aí está a excelência do amor, caminho de sofrimento e
paixão, que não tem medida, nem limite e chega à doação total de vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba