Aguarde...
26 de outubro de 2026
Dia dois de novembro é uma data
fúnebre. As pessoas vão aos cemitérios com sentimento de saudade, lembrança de
entes já falecidos, mas conscientes sobre a impossibilidade de reencontrá-los
na existência terrestre. É o mistério da vida humana. Justamente por causa do
mistério que projetamos a vida na eternidade. Não somos capazes de entender o
alcance desta realidade, que pertence a Deus.
Apoiados na palavra “mistério”, o cemitério onde, quem veio
do pó volta a ser pó (cf. Gn 3,19), deve ser local de esperança para quem ainda
fica. É um dia de reflexão, de sentir a abrangência de nossos limites humanos e
o despertar de nossa fé e confiança no autor da vida, Deus, que nos acolhe no
seu seio paterno. Portanto, o consolo diante do vazio da existência só pode vir
de Deus.
Diante desse vazio causado pela morte de alguém, somente a
sabedoria divina será capaz de restabelecer um clima de serenidade e aceitação
dessa nova realidade. A partir daquilo que imaginamos, a morte é uma via de
sofrimento, talvez não seja para quem falece, mas aos que ficam na saudade. As
formas de se vivenciar essa dor depende de cada pessoa, uns sofrem mais e
outros, menos.
Apesar da esperança ser uma virtude teologal, dada a nós por
Deus e de forma gratuita, ela é também consequência do esforço humano diante da
prática concreta da fé e do exercício cotidiano da caridade fraterna. Tudo isso
significa que o ser humano tem esse importante caminho que o eleva na dignidade
pessoal diante das realidades humanas e de sua proximidade de Deus.
A comemoração e celebração do dia de finados tem uma
profunda correlação e afinidade com a solenidade do dia de todos os santos. A
santidade expressa intimidade e gratuidade em relação ao amor infinito de Deus
pelas pessoas e é fruto de correspondência afetiva e efetiva ao querer do
Senhor sobre todos nós. Em Jesus Cristo somos chamados a fazer a vontade do Pai
do céu.
A vida terrena é a identidade do caminho que nos leva para a
eternidade, um sentimento próprio do dia de finados. Isto é sinal de que ela
não acabou ali no cemitério. A Ressurreição de Jesus Cristo implica a nossa
ressurreição, nossa entrega nas mãos de Deus, e nossa fé diz que dele viemos e
para ele vamos. O importante é deixar um legado de doação e de serviço dedicado
a todos os irmãos.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba