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4 de agosto de 2025
São duas palavras que exigem
reflexão e compromisso. A esperança é um desejo positivo e uma expectativa com confiança.
No âmbito religioso, é uma das certezas baseadas na fé e nas promessas divinas,
contidas no livro da Sagrada Escritura. A vigilância é estar em atitude de
prontidão e sentinela em relação ao que é projetado na defesa da esperança e na
realização do futuro que se espera.
A história bíblica revela a presença de Deus na caminhada do
povo. Mas, nos momentos de maior sofrimento, a esperança ficou sempre
fraquejada, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Os profetas, os apóstolos
e todos os agentes pastorais e missionários, de todos os tempos, como
verdadeiros vigilantes, sustentaram a fé e o nível de confiança quanto ao
cumprimento das promessas de vida.
A palavra sofrimento não pode ser sinônimo de desespero. Por
outro lado, a atitude de esperança, nesses momentos, depende de vigilância e
encorajamento. É aquilo que Jesus ensina para seus discípulos: “Vigiai e orai,
para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”
(Mt 26,41). A tentação pode detonar a esperança e a pessoa perder o rumo da
história.
Fé é certeza e convicção a respeito de realidades
invisíveis, fundamentadas nas promessas divinas. É uma via de vigilância, onde
está enraizada a esperança, o reconhecimento da possibilidade de vida melhor,
na terra e na eternidade. Na terra, ela se expressa na prática da caridade
fraterna, no reconhecimento da dignidade do outro. Na eternidade, o encontro
pessoal com Deus.
A esperança e a vigilância, dentro do plano de salvação, se
consolidam na fidelidade ao Senhor e ao irmão mais próximo, com destaque para com
aqueles que são mais vulneráveis e desprezados da sociedade. Podemos dizer que
tudo isto faz parte do projeto universal de construção do Reino de Deus,
chamado de projeto escatológico, porque tem também uma dimensão de eternidade.
Jesus não deixou de exortar, e com muita insistência, sobre
a necessidade da vigilância e da responsabilidade. Sem esses dados, é
impossível sustentar uma verdadeira esperança. A Palavra divina reforça a
palavra do Mestre, quando diz: “Ficai de prontidão, com o cinto amarrado e as
lâmpadas acesas” (Lc 12,35). Não é fácil manter as lâmpadas acesas num mundo
que ameaça a esperança.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba