Aguarde...
7 de julho de 2025
Para acolher alguém, não basta
escutar, mas criar empatia, sentimento de proximidade e comprometimento. Significa
gesto de hospitalidade generosa, prontidão. Isto aconteceu com Abraão ao
receber, em sua tenda, três visitantes desconhecidos, considerados dignos de
acolhida (cf. Gn 18,2-3). Acolher hoje se torna difícil diante de uma cultura
que dá muita ênfase às diferenças sociais.
A capacidade de escutar e, mais importante, de acolher, tem
dimensão divina, porque envolve o reconhecimento que a pessoa tem do valor do
ser humano. Primeiro, ter que escutar o outro numa situação de fechamento e
individualismo próprio da realidade atual. Segundo, no acolher, esbarra-se no
preconceito da cultura do medo, de não saber qual a reação que os indivíduos
podem apresentar.
Hoje fala-se mais do que escuta. É através da escuta que a
gente consegue entender melhor a identidade do outro, para depois, acolhê-lo
sem preconceitos geridos pelo clima dos relacionamentos. Às vezes as pessoas
preferem muito mais viver isoladas e envolvidas com seus problemas pessoais.
Agindo assim, elas se esquivam das responsabilidades da vida social e de ajuda
aos outros.
Escutar e acolher são gestos profundos de fraternidade, de
perfeição cristã, próprio da cultura de inclusão. Mas, a consolidação
verdadeira disto depende muito do rompimento com as inúmeras e reais barreiras
do individualismo cultural e étnico modernos, que impedem a dimensão
comunitária e de proximidade. É importante olhar para a forma de escutar e
acolher praticados por Jesus Cristo.
O evangelho apresenta
um fato bem concreto de escuta e acolhida, quando Jesus visita a casa das
irmãs, Marta e Maria. Marta serve nos serviços da casa, numa atitude de
profunda hospitalidade. Por outro lado, Maria escuta atentamente a Jesus, que a
valoriza na sua escolha daquilo que é central, a Palavra de Deus. Podemos dizer
que Marta fez uma escolha, também importante, servir.
Somos todos motivados a dar atenção, a escutar a Palavra de
Sagrada Escritura. Palavra que nos motiva a escolher o que é mais importante, o
que ajuda na condução da vida. Entre escuta e escolha deve existir um perfeito
equilíbrio, porque a trajetória supõe serviço ao irmão e intimidade com Deus. O
excesso nas lidas diárias não pode nos afastar dos compromissos indicados pelo
Evangelho.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba