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9 de dezembro de 2025
Esta expressão é usada no terceiro
domingo do Advento e a motivação para isto está na proximidade da chegada de
Jesus, no Natal. As leituras bíblicas da liturgia desse domingo fazem
referência e um convite, dizendo, “alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fp 4,4). É
como o agricultor que fica alegre quando chegam as chuvas e umedecem a terra,
dando esperança de colheita com muita fartura.
A humanização de Deus
acontece em função do bem da pessoa humana. Na verdade, é o Senhor que vem para
dar nova vida, nova dignidade e liberdade para seus filhos. Isto significa
superar as diversas tramas e atitudes opressivas que causam desespero e
sofrimento para muita gente. O nascimento de Jesus aconteceu, e acontece hoje
no coração das pessoas, para humanizar e divinizá-las.
Fatos bíblicos do passado levaram à desumanização das
populações. Podemos citar dois deles: A escravidão e sofrimento no Egito e a
reclusão no Exílio da Babilônia. Nessas circunstâncias, o que dominava mesmo
era o desespero, a falta de liberdade e a baixa autoestima. Cristo veio para
restaurar a vida, a esperança e a alegria, tudo aquilo que faz as pessoas
viverem bem e felizes.
Ao falar de Natal, dizemos que Cristo se encarnou e nasceu
para mudar a sorte do povo sofrido, porque só ele é capaz de criar
encorajamento e fazer surgir vida totalmente nova numa realidade de sofrimento.
Talvez seja lamentável sentir uma cultura que esvazia paulatinamente o
verdadeiro e mais profundo sentido do Natal, transformando-o num clima mais
comercial do que espiritual.
A alegria que envolve um momento do Advento tem relação com
as palavras de João Batista: “Aquele que vem depois de mim é mais poderoso do
que eu. Não sou digno de levar suas sandalhas” (Mt 3,11). Significa a alegre
chegada de novos ares, nova vida e nova esperança. É uma narrativa importante
para os cristãos, porque Jesus é o Messias esperado desde um longínquo passado.
Todo esse cenário bíblico remete para sinais sensíveis do
vindouro Reino de Deus, o Reino da verdade. Por isto, é motivo de júbilo, de
expectativa, que faz vislumbrar e consolidar a salvação, trazida por Cristo. Agora
é ter sensibilidade e acolher, no fundo do coração, sua chegada, deixar-se
transformar por ele e não permitir que a luz da esperança tome conta e esvazie
nossa vida.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba