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8 de junho de 2026
Os interesses pessoais e
comunitários conduzem as pessoas a se aproximarem umas das outras. Assim
acontece no domingo, dia do Senhor. Somos convocados pela Palavra de Deus, pela
Eucaristia e pela força da convergência da vida comunitária, como momento de
louvor e de agradecimento a Deus pelo dom da existência. Desta forma, nós
entendemos que a proximidade é dom divino e humano.
Na dinâmica atual, avassalada pelo individualismo, sentimos
um esvaziamento da vida comunitária. A Celebração Eucarística, nos domingos,
por exemplo, foi parar no ostracismo para muitos cristãos. Podemos até
lamentar, pois, o espaço de anúncio da Palavra de Deus tornou-se dispensável,
sem aquela expressão significativa que tem e sem força para iluminar a vida e o
caminho das pessoas.
A Palavra de Deus precisa ser, frequentemente, escutada,
conforme diz o ditado, que “Ninguém segue e nem ama aquilo que não conhece”.
Existem sim os espaços, mas pouco utilizados e são substituídos por outros
interesses. Antes de enviar os apóstolos em missão, eles tiveram que ouvir as
Palavras do Mestre durante uma temporada. Só assim que Jesus confia a eles
autoridade para falar.
Ser próximo é ter sensibilidade para conviver no confronto
saudável em relação àquela diversidade de dons presentes em cada pessoa em uma
determinada comunidade. Esse é o ambiente propício onde é anunciada e escutada
a Palavra de Deus, palavra que une e aproxima as pessoas umas das outras.
Unidade, que exige submissão às legítimas autoridades, que têm, como poder,
servir.
Na história e na vida de uma comunidade de cristãos, a fé
está acima da Lei, pois ela, sob a ação do Espírito Santo, é condição
indispensável para a salvação. Quem pratica autenticamente a fé, não depende de
lei, porque já cumpre, naturalmente, as exigências dela e contribui
pessoalmente para a prática da proximidade.
A fé significa viver reconciliado com Deus, em Jesus Cristo,
sabendo que seu olhar divino é de compassividade, ternura e afeto, como o
pastor que dá a vida pelas ovelhas. A proximidade dos membros de uma comunidade
depende muito de autênticos pastores, que servem e seguem as palavras do
venerável e saudoso Papa Francisco, “com cheiro de ovelhas”, que as une por
força da Palavra.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba