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10 de novembro de 2025
O Papa Leão XIV toma como tema, em
sintonia com o Ano Jubilar da esperança, para o 9º Dia Mundial dos Pobres, a
palavra dos Salmos: “Tu és a minha esperança” (Sl 71,5). A condição de pobre
não pode tirar da pessoa a virtude da esperança, porque ela é fundamental para
a autoestima e a dignidade do ser humano. A maior riqueza das pessoas é confiar
em Deus e tê-lo no coração.
Para o apóstolo Paulo, quem confia em Deus, a esperança
nunca o decepciona (Rm 5,5). Isto significa que o pobre, numa vida totalmente
precária, marginalizado, excluído, pode tornar-se uma testemunha de autêntica
esperança na expectativa da justiça divina. O ter material não deixa de ser uma
realidade relativa, que pode esvaziar a identidade da pessoa e levá-la à perda
da esperança.
O verdadeiro tesouro, na vida das pessoas, é a intimidade
delas com Deus. Quase sempre, muitas pessoas pobres têm mais liberdade e
serenidade para isto, porque não estão apegadas, nem preocupadas em administrar
bens materiais acumulados. Jesus faz uma alerta para ninguém acumular bens na
terra e, sim, no céu, porque são duradouros e a ferrugem não os destrói (cf. Mt
6,19-20).
Grande parte dos pobres tem abertura para Deus, sensível aos
ensinamentos do Evangelho. A Igreja tem a obrigação de atendê-los em suas
diversas necessidades, não só espirituais, mas também nas carências materiais.
Papa Francisco falava da pobreza existencial, do vazio e da insensibilidade do
coração humano, às vezes, pior do que a pobreza material, exigindo um trabalho
mais missionário.
No coração dos pobres e, também, de toda a Igreja que
evangeliza, deve estar gravada a convicção de que são possíveis uma nova terra
e um novo céu. Esse convencimento vem da esperança cristã, do fundamento da
caridade fraterna. Tudo apoiado na Palavra de Deus e na autenticidade da vida,
iluminada pelo Espírito Santo. Significa que a esperança vem da fé, sustentada
pela caridade.
A palavra pobre sugere a palavra caridade. Delas falamos de
acolhimento e hospitalidade na vida social. E são muitas as formas de ajudar
aos sofridos e inabilitados para uma vida mais digna. Para o Papa Leão, os
pobres são sujeitos ativos, devem estar no centro da ação pastoral e são um
apelo para o anúncio fecundo do Evangelho. Coloquemos nossos frutos acumulados
a serviço dos pobres.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba