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30 de dezembro de 2025
O início de cada ano civil leva
consigo as influências das festas natalinas, quando Deus se manifesta na Pessoa
de Jesus Cristo e nas bençãos concedidas para se ter um novo tempo de
esperança. Nesse contexto, aparece a palavra “epifania”, aplicada ao fato da
visita dos Reis Magos do oriente ao Menino Jesus, e o encontram depositado em um
cocho, em atitude de radical despojamento.
Agora é olhar para frente e deixar para o passado todo tipo
de escuridão no trajeto da vida. Viver na claridade é saber dar novo vigor para
a história, pessoal e social, e trabalhar para a realização de uma utopia
saudável e capaz de ser atingida. Não se pode perder de vista que a verdadeira
luz vem de Deus. É por isto que Jesus se manifesta como luz a atingir o coração
das pessoas sensíveis a Ele.
A epifania é a manifestação, ou seja, a publicidade de Deus,
daquele que veio visitar o mundo, tornando-se humano para que o humano tivesse
condição de se tornar, também, divino. Não é uma manifestação privada,
destinada apenas para algumas pessoas e de forma privilegiada, mas sem
distinção, mostrando que a dignidade humana não é diferente entre os diferentes
indivíduos.
Na dimensão da publicidade divina, agora é contemplar a
riqueza do acontecimento Cristo, consolidando a glória de Deus em pessoa. Nessa
dimensão, é possível encontrar a fonte de sustentação para a fé, a esperança e
a caridade. A Palavra de Jesus nos ensina a caminhar na luz, a construir tempos
novos e a olhar para frente convencidos de que tudo pode ser melhor e mais
belo.
O mistério de Deus é revelado na Pessoa de Cristo, com
destaque especial na data do Natal. Jesus nasce como um perfeito dom gratuito
do Pai, e tem como finalidade, a salvação de seu povo na via da história. Jesus
Cristo veio com uma proposta exigente de alteridade, para construir pontes, conforme
disse o Papa Francisco, convocando as pessoas para a prática da unidade e da
fraternidade.
Na atual cultura, fica uma pergunta no ar: Onde está Cristo
hoje? Na Igreja, no mundo, na comunidade, no comércio, na família? Será que está
faltando uma estrela guia, como aconteceu com os Reis do oriente,
possibilitando encontrar o Menino-Deus? É importante refletir se tudo caminha
no rumo certo, ou há necessidade de mudar de rumo, como aconteceu na volta dos
Magos para o oriente.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba