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28 de setembro de 2026
Quem é dono de uma propriedade, de
um campo, é natural que ali existam plantações. Elas dependem de atenção e
cuidado, de intenso trabalho e dedicação. Assim é o Brasil, um vasto campo para
ser cultivado, um espaço onde jogamos todo tipo de semente, inclusive, da
Palavra de Deus. O momento é de pensar na identidade de quem lança a semente,
seja um missionário ou um político.
Uma vinha bem cuidada produz muito fruto. O descuido não
significa infertilidade, mas dificulta muito o progresso e os objetivos de quem
é dono. Temos um país com muitas oportunidades, com uma potencialidade
infinita. Mas existe uma grande dissonância entre a seriedade de quem governa e
aquilo que deve ser administrado. O domínio da corrupção impede a abundância de
frutos bons.
O profeta Isaías aponta a existência da vinha de um amigo
seu (cf. Is 5,1-2). O dono esperava a produção de bons frutos, mas aconteceu o
contrário, e acabou ficando decepcionado. Certamente faltou quem usasse os
insumos necessários e o cuidado exigido. Esta é a imagem de um Brasil fecundo,
mas ainda com razoável produção. O que está faltando é a presença de honestos
administradores.
As eleições pelo país são, como que, “a hora da verdade”,
hora da escolha e do exercício das atitudes de total responsabilidade,
principalmente por ter ciência de que o nosso voto tem profundas consequências
na vida da Nação e de cada eleitor. São mais quatro anos de gestão, em que
seremos cuidados pelos eleitos, e com poder adquirido com a decisão de cada um
de nós ao votar.
O mundo é um jardim frutífero sonhado por Deus, mas tem
passado por momentos de catástrofes naturais, improdutividade, por negligência
e egoísmo pela mão humana. É uma vinha muito mal cuidada, porque os vinhateiros
não conseguiram entender o nível de sua responsabilidade. Vemos que poucos
administram pensando na coletividade e se deixam levar por interesses
excludentes.
A vinha é de Deus e somos um país de fé. O que fazemos nas
eleições é escolher os agentes colaboradores da população. Eles devem ser
pessoas de vida ilibada, honestas e bem intencionadas, com marca visível de
equilíbrio no cuidado da administração pública, para que os frutos produzidos sejam
de uvas boas, de bem comum e espaço de oportunidades para todos os brasileiros.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba