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16 de setembro de 2025
A história, em toda a sua
trajetória, registra situações de corrupção, que acontecem de forma tão bem
planejada e sutil, com capacidade de envolver pessoas, criando uma onda de
naturalidade. O profeta Amós já denunciava essas práticas, sempre entendidas
como verdadeiras ações de injustiça e alertava sobre os oráculos de Deus sobre
quem age com essas espertezas egoístas (cf. Am 8,5-7).
Vemos, pelas agências de notícias, o desmantelamento de
organizações de corrupção presentes em todo o país, algumas delas em conluio
com outros países. São poderes agindo em paralelo e em competição com o papel administrativo
do Estado. Essas corrupções organizadas evidenciam a presença destruidora e a
força do mal na sociedade. Devem ser combatidas e penalizadas com coragem.
Amós cita uma frase que nos deixa a pensar seriamente sobre
a brutalidade da corrupção: “Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e
causais a prostração dos pobres sobre a terra” (Am 8,4). Deus, que é justo
juiz, não esquece o mal que as pessoas praticam, principalmente o abandono da
justiça e da honestidade, prejudicando a vida dos mais fragilizados. O caminho
correto é a conversão.
É fundamental entender que Deus não é um juiz vingativo no
julgamento, mas quer que a justiça seja feita com o rigor da Lei. Quer a
salvação para todos, mas este “todos” tem uma configuração de plena coerência
em relação à vontade do Senhor. Deus seria um magistrado injusto pelo fato de
não exigir justiça de quem age com atitudes escusas e com organizações maquinadas
de corrupção.
Muitos administradores esbanjam os bens do patrão rico. Não
deixa de ser uma prática de corrupção e agir com esperteza. Pela doutrina da
moral cristã, para quem rouba não existe perdão, a não ser quando houver
ressarcimento. A característica primeira, que identifica o Reino de Deus, é a
justiça e só assim haverá possibilidade concreta de harmonia na convivência
social e comunitária.
As palavras, enganação e suborno qualificadas, não fazem eco
nos ensinos de Cristo no Evangelho. Aqui podemos citar a Palavra de Deus: “Os
filhos deste mundo são mais espertos nos negócios do que os filhos da luz” (Lc
16,8). Ninguém tem direito de tirar proveito da fragilidade do outro, deixando
de conectar a fé com a vida, senão estará negando a identidade da sua vocação,
dada por Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba