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3 de março de 2026
Não é alusão ao trabalho de um
governo, que deve construir as pontes na sua administração, mas às atitudes da
pessoa humana, principalmente ao colocar em prática a vida comunitária, pois aproxima
as pessoas e cria relacionamento fraterno. Assim fez Jesus em conversa e
interação no encontro com a mulher samaritana diante do Poço de Jacó,
apresentando-se como “água viva” (cf. Jo 4,13-15).
A ponte, no contexto do Evangelho, é a água, a motivação
para Jesus dialogar com aquela senhora que buscava água naquele poço. Sabe-se
que havia uma total aridez na relação entre um judeu e um samaritano, um homem
e uma mulher. Era como se faltasse uma ponte, que deveria ser construída por
alguém, usando o material que fosse possível. Jesus a constrói e aproxima as
pessoas entre si.
Durante a travessia
do deserto, o povo de Deus passou necessidade de água para beber. Moisés, com
uma vara, por iniciativa divina, fez jorrar abundante água da pedra e saciou a
sede de todo o povo (cf. Ex 17,3-6), que estava perdendo a confiança em Deus.
Então, Moisés e sua vara mágica transformaram-se em ponte para a recuperação da
relação das pessoas com o Senhor.
A Quaresma pode ser construtora de pontes, de recuperação da
fraternidade entre as pessoas e delas com Deus. A centralidade de tudo isto
está na Pessoa de Jesus Cristo, porque Ele é a verdadeira ponte construída
entre o divino e o humano, dando possibilidade ao ser humano de alcançar o
inalcançável, o Senhor da eternidade. E o caminho se faz na esperança de um
futuro de felicidade.
As pontes construídas, no caminhar da história, dão muitas
possibilidades para a prática de diversas experiências comunitárias. Elas
eliminam as diferenças, as barreiras e superam o individualismo. Isto era
evidente entre judeus e samaritanos, como uma verdadeira cultura no tempo de
Jesus. Como ponte, Ele foi ao encontro de uma mulher samaritana e dialogou com
ela diante de um poço de água.
Aproximar as pessoas, com preconceito, é uma tarefa de
humanidade, porque supera as divisões e facilita muito as relações fraternas.
As palavras da samaritana, preconceituosa, para Jesus, “Senhor, dai-me dessa
água”, revela sede de sentido, uma questão existencial que deveria ser superada
na vida dela. Situação que só é capaz de mudança quem se abre para a ajuda de
Deus.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba