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6 de julho de 2026

Consciência do momento

A história brasileira tem pontos positivos e negativos. Isso deve ser refletido seriamente, principalmente em tempo de eleição, quando escolhemos as novas autoridades políticas, os gestores da Nação. O que é colocado em jogo e tem caráter político, é o problema da administração econômica nacional. Mecanismo que pode ser perverso para o país, como também, instrumento de construção.

A questão é substituir os maus gestores por outros novos e mais comprometidos com o bem comum da população, que tenham vontade política eficaz. Agora é o momento, porque as eleições estão chegando e os políticos batem às nossas portas. Muitos, como agem já revela que, sendo vitoriosos, não passarão de meros confirmadores de mecanismos perversos. As injustiças só terão outra roupagem.

O bem público, ou coisa pública, que pertence a todos, é administrado pelos políticos, homens públicos, eleitos para servir aos que os elegeram e devem fazer isso baseados em princípios morais e responsabilidade. Para o Papa João Paulo II, os cristãos, que são eleitos para cargos públicos, a ação deles deve ser feita em estreita sintonia e inspirados nos princípios da justiça e da fé.

Na sociedade brasileira deveria reinar a interdependência e a solidariedade. Mas, dominam diferentes formas de imperialismo, formando uma estrutura que, no fundo, não passa de "estrutura de pecado". A própria consciência do bem comum parece desaparecer do senso de todos. É o domínio do capitalismo selvagem, que coloca nas pessoas e nas instituições, um obstáculo difícil de ser superado.

Os reais destinos econômicos e políticos do nosso país são comandados por uma grande máquina pouco preocupada com a vida e a dignidade dos seus habitantes. A raiz disso está nas mãos de pessoas administradoras, de políticos, como também nas estruturas. Muitos dos atos dos responsáveis, constituem pecados pessoais, gerando condicionamento no comportamento de todos os brasileiros.

Conseguimos visualizar claramente, nessas realidades, o iter do "pecado" e também as "estruturas de pecado". A raiz de tudo isso está no "egoísmo", porque o "eu" individual tem falado mais alto do que o "nós" coletivo. Assim, a consequência não será outra, a não ser o desrespeito pelo outro. As vistas ficam curtas e não enxergam o que está por detrás, isto é, a realidade humana a ser defendida.

Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba